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Terraplanismo militar para se perpetuar no poder

Militares encampam tese de fraude eleitoral e clima de tensão entre poderes continua, diz colunista Malu Gaspar

Por Tribuna em 15/07/2021
Terraplanismo militar para se perpetuar no poder

DA REDAÇÃO - "Na época da ditadura não tinha corrupção" é uma das máximas que os defensores do período mais tenebroso da nossa história depois escravidão gostam de bradar.

No entanto, hoje, mesmo em meio à uma cambaleante democracia não é isso que assistimos com as revelações diárias da CPI, além de outros escândalos como as compras de 80 mil unidades de cerveja e 700 mil quilos de picanha com superfaturamento, segundo reportagens da época ou o ‘Escândalo do Leite Condensado’.

E essa exposição tem incomodado cada vez mais os militares que abraçaram a tese, revelada pela jornalista Malu Gaspar que afirma que a crise resultante da nota em tom de ameaça feita pelo Ministério da Defesa e os comandantes das Forças Armadas contra a CPI da Covid não foi debelada. “O clima de tensão continua. Só a mira é que virou para o outro lado da Praça dos Três Poderes”, diz ela em sua coluna no jornal O Globo.

Segundo ela, “parte relevante dos oficiais de alta patente e dos praças acredita genuinamente que há uma confluência de interesses, ou, para ser mais direta, uma armação mesmo, para tirar Bolsonaro do poder e colocar Lula em seu lugar, por meio de uma fraude nas eleições”.

“Os fardados que orbitam ideologicamente em torno do presidente da República consideram desproporcional a resistência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a implantar o voto impresso. Não é só o ministro Luís Roberto Barroso, atual presidente do tribunal, que eles veem como inimigo. Assim como Bolsonaro, os oficiais detectaram uma articulação de bastidores dos também ministros do Supremo Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes na origem da recente manifestação pública de líderes de 11 partidos contra o voto em papel”, observa.

“A aversão nas Forças Armadas ao Supremo é conhecida e, se ela agora está abafada, é muito mais por força do gesto recente do próprio Bolsonaro, que se reuniu com o presidente da Corte, Luiz Fux, e baixou o tom”, avalia a jornalista. ”Por enquanto, a tensão está controlada, mas nada indica que uma nova crise não emergirá de repente, trazida por alguma nota ou declaração ameaçadora de um dos comandantes das Forças, como vimos na semana que passou”, completa.

“Ecoando o discurso de fraude, a ala fiel a Bolsonaro se diz disposta a agir para defender o presidente e impedir a volta da esquerda ao poder. Ninguém sabe ao certo o que isso significa, mas certamente não é um convite para um passeio no parque”, finaliza.

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