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SuperVia vai aumentar R$ 0,90 da tarifa, há 7 anos atrás o Brasil parava por R$ 0,20

Por Ralph Lichotti em 05/06/2021
SuperVia vai aumentar R$ 0,90 da tarifa, há 7 anos atrás o Brasil parava por R$ 0,20

Em plena crise e recessão, e desemprego a Supervia anuncia aumento de R$ 5,90 a partir de 1º de julho. Segundo a concessionária, o reajuste estava previsto e acordado com o Governo do Estado do Rio de Janeiro.

A concessionária afirma que atendia uma média de 600 mil passageiros diários, mas o número de embarques caiu pela metade e soma atualmente cerca de 300 mil passageiros em dias úteis.

Fato é que a SuperVia em 1998 pagou pela concessão por 25 anos ao estado US$ 30 milhões e considerando média de 600 mil passageiros, por dia durante 23 anos, a SuperVia em média fatura por dia supostamente, considerando o preço da tarifa a R$ 5,10, a quantia de 3,06 milhões reais dia, e em 1 mês fatura supostamente bruto 91,8 milhões de reais, e daria para pagar presumivelmente, o que pagou pela concessão de 25 anos ao estado em 1998 em 1 mês.

Em 1 ano fazendo cálculo médio, sem previsão de custos, daria a quantia plausivelmente de RS 1.101.600.000,00 e em 23 anos daria suscetivelmente mais de 25 bilhões de reais em faturamento bruto. É claro que na concessão o lance foi de US$ 280 milhões e além dos US$ 30 milhões pagos ao Estado, US$ 250 milhões, teria que ser investidos no sistema, sem subsídios.

É evidente também, que o preço da passagem e passageiros variou muito em 23 anos, e que houve bastante investimento em novas linhas, manutenção dos trilhos, custos operacionais e novos trens, mas será que diante do alto lucro que já teve no passado, não daria para diminuir o preço da Tarifa ao invés de aumentar, até o governo fazer as vacinações e a economia voltar a crescer também para o trabalhador que depende desse transporte e o fluxo voltar à normalidade de 600 mil passageiros dia.

Afinal de contas, em 2010, sem estardalhaço, o ex-governador Sérgio Cabral preso e condenado, renovou por mais 25 anos a concessão da SuperVia para explorar a malha urbana ferroviária do Rio de Janeiro. Assim, a concessionária manterá seu contrato até 2048 e a Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, e seu escritório Ancelmo Advogados era a advogada da SuperVia e a ex-primeira-dama fazia parte do esquema de lavagem de dinheiro de propinas pagas ao ex-governador.

HISTÓRIA

Em 1854 foi inaugurada a primeira ferrovia construída no Brasil. O serviço ferroviário de passageiros foi inaugurado em 1858, com a implantação do trecho da Estrada de Ferro D. Pedro II, ligando a estação da Corte, hoje denominada D. Pedro II, à estação de Queimados. Em 1861 foi inaugurado o serviço regular de trens até Cascadura. Em 1864, a ferrovia já havia ultrapassado a serra e alcançado Barra do Piraí. Em 1870, a linha de Cascadura passou a ser servida por mais dois trens diários, inaugurando de fato o sistema suburbano de transporte.

Em 1875 é autorizada a implantação da Estrada de Ferro Rio D'Ouro, como auxiliar da construção da adutora entre o Cajú e as represas do Rio D'Ouro, na Baixada Fluminense. Nesse mesmo ano as linhas da Cia. da E. F. D. Pedro II alcançam Cachoeira Paulista, em São Paulo, ponto final da navegação do Rio Paraíba do Sul.

A partir dos primeiros anos do século XX há um aumento substancial no tráfego suburbano de passageiros.

Fonte: Maria Lais Pereira da Silva - Os Transportes Coletivos na Cidade do Rio de Janeiro

Em 1930 o transporte ferroviário encontra-se em contínua expansão. Em 1937 a ferrovia foi eletrificada. A participação percentual dos passageiros nos trens suburbanos quase duplica entre as décadas de 40 e 50 (passando de 8% para 16%), mantendo-se posteriormente, até 1960, na mesma proporção.

A Central do Brasil permanece sob o domínio do Estado. Em 1941, sofre uma reformulação administrativa, tornando-se autarquia, com autonomia financeira e administrativa, embora o governo federal assuma, em 1950, a responsabilidade de financiar as aquisições e obras necessárias à sua expansão. Em 1957, passa a ser a espinha dorsal da Rede Ferroviária Federal S. A. - RFFSA, juntamente com a Estrada de Ferro Leopoldina.

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Entre 1977 e 1981 são adquiridos 180 trens das séries 500, 700, 800 e 900.

Em 1984 é criada a Companhia Brasileira de Trens Urbanos - CBTU, subordinada ao Ministério dos Transportes, com a responsabilidade pelo transporte ferroviário metropolitano de passageiros em todo o Brasil. A RFFSA fica com a responsabilidade pelo transporte de cargas. No mesmo ano o sistema de trens metropolitanos do Rio de Janeiro ultrapassa a barreira de 1 milhão de passageiros pagantes transportados por dia.

Em cumprimento ao disposto na Constituição Federal, que transfere à autoridade pública local as responsabilidades inerentes ao transporte urbano de passageiros nas áreas metropolitanas, foi criada pelo decreto no 20.288, de 28 de julho de 1994, a Companhia Fluminense de Trens Urbanos - FLUMITRENS. A transferência efetiva do Sistema Ferroviário do Rio de Janeiro, da Companhia Brasileira de Trens Urbanos - CBTU, subordinada à União, para a FLUMITRENS, diretamente ligada à Secretaria de Estado de Transportes do Rio de Janeiro, deu-se em 22 de dezembro de 1994.

Em novembro de 1998 a operação do sistema de trens foi transferida para a iniciativa privada, através de concessão à empresa Supervia.

CONCESSÃO

A partir de 1º de novembro de 1998, os serviços de operação do sistema de trens metropolitanos do Rio de Janeiro, até então sob a responsabilidade da Companhia Fluminense de Trens Urbanos - FLUMITRENS, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, foram concedidos, por um período de 25 anos, à iniciativa privada.

Em 1998 - Transporta mais de 9 milhões de pessoas por mês, com uma média de 450 mil usuários/dia, distribuídos em 89 estações, ao longo de 11 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro

Em 1998, a operação do sistema fora privatizada, tendo o consórcio SuperVia ganhado o leilão com um lance de US$ 280 milhões dos quais US$ 30 milhões apenas foram pagos ao Estado e US$ 250 milhões, supostamente seriam investidos no sistema, sem subsídios.

Estas ações resultaram, num curto espaço de tempo em um salto no número de passageiros transportadas por dia e que atualmente esse número se aproxima dos 600 mil passageiros por dia.

PREJUÍZOS COM O COVID-19

A SuperVia,  afirma que deixou de transportar mais de 102 milhões de passageiros, desde o dia 14 de março de 2020, quando foram iniciadas as medidas de isolamento no Estado do Rio.

Segundo a concessionaria a queda de demanda é de 50%. A perda financeira neste período é de mais de R$ 472 milhões.

Em nota, o governo do estado afirma que "segue em tratativas com a SuperVia para reverter o reajuste na tarifa anunciado pela concessionária".

Fotos: Reprodução/Agência Brasil.

Ralph Lichotti é advogado e jornalista, diretor do Tribuna da Imprensa Digital.

Presidente da Associação Nacional de Defesa dos Usuários de Transportes

 

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