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"Sou eu o autor da Lei do Desarmamento no Brasil"

Assim Roberto Jefferson se apresentava orgulhoso no horário eleitoral gratuito de 1997. Hoje, presidente nacional do PTB defende a violência armada como forma de resolução dos conflitos políticos inerentes aos regimes democráticos, o que é inconstitucional

Por Tribuna em 14/08/2021

DA REDAÇÃO - É com a frase do título que podemos estabelecer uma linha de corte para compreender a brusca mudança do ex-deputado federal Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, preso nesta sexta-feira (13) por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, atendendo a uma solicitação da Polícia Federal.

O motivo da prisão foi pelas reiteradas ameaças de violência contra a ordem democrática a partir da defesa do fechamento do STF, da prisão de seus ministros menos Nunes Marques, nomeado pelo presidente Bolsonaro, a intervenção militar e de violência contra as medidas preventivas contra o covid-19. Bob Jeff, como se apresenta nas redes, defende a violência armada contra adversários como forma de resolução dos impasses políticos naturais em uma democracia e isso nada tem a ver com liberdade de expressão.

Com vocês, o ‘herói da liberdade do povo brasileiro’, segundo palavras do general de quatro estrelas e ministro da Secretaria Geral da Presidência Luiz Eduardo Ramos: “A arma é um instrumento até contra agentes do estado. Esse estado que está no mundo opressor, comunista, ateu, marxista, hedonista, imoral, satanista, que quer destruir todos os valores cristãos para uma sociedade de baderna, sexo solto, abusando de crianças, fazendo gayzismo, fazendo apassivamento, droga, aborto. Pra esse estado, nós vamos precisar desses instrumentos”, disse Jefferson em vídeo divulgado em maio deste ano.

Roberto Jefferson se transmutou de tal forma que passou de autor da Lei do Desarmamento a defensor do armamento da população.

Outra pauta defendida por Jefferson nos anos 90 e que o faria ser alvo de bolsonaristas atualmente é a do casamento gay.

O ex-deputado chegou a ser relator de um projeto de Marta Suplicy, à época do PT, sobre o tema, e não só apoiava a proposta, como apresentou um substitutivo ao texto que foi elogiado pela ex-prefeita. Ele ampliou a abrangência do projeto e retirou o termo “união civil”, o substituindo por “parceria civil”, com o intuito de facilitar sua aprovação.

 Essas abruptas transformações éticas e estéticas se materializaram na mudança da logomarca do partido que preside.

O histórico Partido Trabalhista Brasileiro deixou de envergar o preto, branco e vermelho com o mapa do Brasil e passou a adotar um design com o amarelo, verde e azul da bandeira brasileira apropriado pela extrema-direita que colore uma forma que pode ser associada a um projétil de chumbo ogival, se pensarmos na necessidade Roberto Jefferson de se afirmar como novo ícone da extrema-direita.

E esse exagero de ‘Bob Jeff’ tem surtido efeitos negativos dentro do partido que preside. Insatisfeitos com a postura do presidente nacional do PTB nas redes sociais, seis dos 10 deputados federais do partido já sinalizaram que pretendem deixar a legenda antes das eleições de 2022. A maioria deve aguardar a janela partidária, mas a deputada Luísa Canziani (PTB-PR) já acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando a desfiliação por justa causa.

A janela partidária é um período de 30 dias, aberto antes do ano eleitoral, em que parlamentares podem trocar de partido sem o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Segundo fontes, os parlamentares demonstraram a disposição em deixar a sigla antes mesmo da prisão de Jefferson, ocorrida hoje. Ele foi preso por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das “milícias digitais”.

“Os motivos para deixarem o PTB são variados. Muitos já estavam manifestando desejo de deixar o partido. Alguns pela postura ideológica que o Roberto adotou. Outros pelas mudanças feitas em diretórios estaduais. Mas nenhuma dessas decisões foi explicitada hoje, ou seja, não tem nenhuma relação com a prisão. Foi tudo anterior ao fato”, disse um parlamentar do PTB ao jornal Valor Econômico.

Em julho, Luísa acionou a Justiça Eleitoral e pediu para deixar o PTB por justa causa. Um mês antes, a legenda havia instaurado o processo de expulsão da parlamentar paranaense.

Assinada pelo advogado Luiz Fernando Pereira e pela deputada Margarete Coelho (PP-PI), a ação destaca a postura radical de Jefferson à frente do PTB, atribuindo a ele uma guinada ideológica da sigla. (Com informações do Valor Econômico e Revista Fórum)

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