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Sem solução para fome e combustíveis, Bolsonaro volta com o blefe do Nióbio e vira meme

Por Tribuna em 26/06/2022

Sem mercado consumidor Bolsonaro insiste na mentira e lança o 'InovaNióbio' ficará sob responsabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

Presidento Jair Bolsonaro apresenta colar feito de nióbio durante na live nas redes sociais - 28/06/2019

Presidento Jair Bolsonaro apresenta colar feito de nióbio durante na live nas redes sociais

Em meio a fome crescente e às latentes crises da alta da inflação e aumento desenfreado dos combustíveis, Bolsonaro decidiu lançar um novo programa… sobre Nióbio.

Publicado no Diário Oficial da União desta sexta, o ‘InovaNióbio’ visa “integrar e fortalecer ações governamentais para o desenvolvimento integral da cadeia produtiva” do mineral, por meio da “promoção da inovação na indústria brasileira, a fim de dinamizar a economia, a especialização dos mercados e assegurar a autonomia tecnológica do país em setores de alta tecnologia“.

De acordo com a portaria publicada, o nióbio — metal exaltado por Bolsonaro desde sua campanha eleitoral de 2018 — será centro de um plano de empreendedorismo nacional envolvendo os setores público e privado, com vistas à “geração de riqueza, empregos e desenvolvimento”.

No início de junho, Bolsonaro já havia anunciado que o governo federal poderá comprar ações da mineira Codemig para evitar que o minério caia em “mãos estrangeiras” — o presidente voltou a defender que as baterias de nióbio com grafeno são o “futuro da indústria automobilística”.

“O nióbio, a matéria-prima para isso, nós temos 98%. Lamentavelmente, foi vendido Catalão para outro país, no último governo. Temos aqui em Araxá o nióbio e uma parte é do governo do Estado. Quando ele (o governador) falou em vender parte dessas ações, nós entramos em campo e estamos negociando de ficar conosco essas ações lá de Araxá”, disse Bolsonaro em entrevista ao canal AgroMais, do Grupo Bandeirantes.

Mercado global é muito pequeno para o Nióbio

O mercado de nióbio é muito pequeno no Brasil e no mundo. De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil comercializou R$ 88,46 bilhões de substâncias metálicas em 2017. Desse total, apenas R$ 635 milhões foram de nióbio, o que representa menos de 1% (0,7%).

Como produto de exportação, os dados do nióbio também se mostram tímidos. Das 11 principais substâncias metálicas mais produzidas no Brasil, o nióbio é o quinto mais exportado, mas com um percentual baixo: 4,2% dos US$ 41,7 bilhões totais. Os principais compradores são China, Estados Unidos, Holanda e Japão, mas para nenhum deles o nióbio é a substância mais buscada.

O Brasil também importa alguns produtos com nióbio, mas de maneira quase irrisória. É a substância metálica que menos compramos: 0,02% do total, vindo em especial de China e Peru.

Minério não é raro, mas operação é cara

O problema limitador do nióbio não é a escassez do produto. Há cerca de 85 minas do mineral conhecidas no mundo, em locais como Brasil, Rússia, EUA e no continente africano. Porém, quase nenhuma delas é explorada. A causa disso é também uma das causas do mercado limitado: o custo da operação.

"Como o mercado é limitado, as reservas ainda não são viáveis para entrar em operação, dado o alto investimento exigido no processo de transformação", afirmou, em nota, a CBMM.

Nióbio precisa ser separado de outros metais

Diferente de outros elementos químicos, o nióbio não é comercializado em sua forma bruta. As empresas que trabalham com o material exploram, nas minas, minerais que contêm nióbio. No caso do Brasil são o pirocloro, o mais popular, achado em Minas Gerais e Goiás, e o columbita-tantalita, achado em Rondônia e no Amazonas.

O produto mais popular no Brasil e no mundo é o ferronióbio --que, como o nome aponta, é uma liga metálica de ferro com nióbio. De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), este representou 6% das exportações brasileiras de mineral em 2017.

Depois de extraído, o nióbio misturado a outro elemento é separado para, então, ser comercializado.

Preço internacional está estável

A limitação do mercado faz com que o valor do nióbio não tenha sofrido variações tão bruscas na última década.

De acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, um quilo de ferronióbio custava US$ 32 em 2008. Hoje, a empresa CBMM avalia um quilo em US$ 40 --aumento que praticamente acompanha a inflação do dólar nesses 11 anos.

Isso se dá também porque o ferronióbio não é uma commodity. Seu valor não é negociado na Bolsa de Valores, mas estabelecido pelo mercado. Se a procura não cresce, o preço também não tende a aumentar.

Fonte UOL

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