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Reginaldo Filho: é assim que a medicina chinesa está florescendo no Brasil

Duan Muxin, traduzido por Pan Luodan, Diário Chinês para a América do Sul

Por Tribuna em 28/07/2022
Reginaldo Filho: é assim que a medicina chinesa está florescendo no Brasil

"Revisar o velho e aprender o novo" é a sabedoria dos sábios chineses, e o Dr. Reginaldo Filho, fundador e reitor da Faculdade EBRAMEC no Brasil, concorda profundamente com isso. Recentemente, ele disse na palestra online "Into China" realizada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) no Brasil e pela Universidade Normal de Hebei na China, que muitos livros famosos de medicina chinesa têm uma história de milhares de anos, e a medicina chinesa ainda é nestes tempos antigos, mas com base nos clássicos, está em constante desenvolvimento e inovação.

Medicina Tradicional Chinesa aos olhos dos médicos brasileiros: Herdada e duradoura

Nas culturas ocidentais, a palavra "antigo" muitas vezes tem uma conotação depreciativa, significando velho e ultrapassado, enquanto que nas culturas asiáticas "antigo" está frequentemente associado a clássicos e tradições, diz Reginaldo Filho. A medicina chinesa tem uma longa história e continua a se desenvolver hoje com base em clássicos antigos.

Por exemplo, no Clássico de Medicina Interna do Imperador Amarelo, está escrito que as pedras de acupuntura eram usadas nos tempos antigos, mas os praticantes da medicina moderna chinesa usam mais comumente agulhas finas.

Além disso, a medicina chinesa moderna é freqüentemente combinada com a medicina ocidental para tratar pacientes. Diante de novos surtos, como o novo coronavírus, as teorias da medicina tradicional chinesa também podem responder. Como resultado, ele acredita que a medicina chinesa tem "mantido a vitalidade”.

A palavra "medicina chinesa" também é interpretada de forma única por Reginaldo: "medicina" refere-se à própria ciência médica, enquanto a palavra "chinesa" não só representa a China, mas também contém o significado de equilíbrio e harmonia, o que também implica o yin e yang do corpo humano perseguido pela medicina chinesa conceito de harmonia.

Ele também mencionou que os quatro clássicos médicos da medicina tradicional chinesa, Príncipios de Medicina Interna do Imperador Amarelo, Shanghan Lun e Shennong Ben Cao Jing estão profundamente enraizados na longa história e renderam resultados frutíferos.

Entre eles, acupuntura, matéria médica chinesa, dietoterapia, tuiná e qigong, esses cinco ramos clínicos são mais familiares aos estrangeiros.

História da medicina chinesa no Brasil: a acupuntura cria raízes e espalha suas asas

Referindo-se à maior diferença entre os praticantes brasileiros de MTC e os chineses locais, o Dr. Reginaldo disse que, para os chineses, a MTC é mais comumente conhecida como matéria médica chinesa. Mas no Brasil, se uma pessoa diz ser um praticante de MTC, a maioria dos brasileiros pensará que é um acupunturista.

Segundo ele, a relação do Brasil com a medicina chinesa começou em 1810 quando os primeiros imigrantes chineses se mudaram para o Rio de Janeiro de forma organizada, trazendo algumas teorias básicas da medicina chinesa e da acupuntura. Mas foi em 1908 que a medicina chinesa apareceu mais sistematicamente no Brasil. Naquela época, um grande número de imigrantes japoneses chegaram de navio e espalharam o que sabiam sobre acupuntura chinesa e moxabustão por todo o Brasil.

Entretanto, o desenvolvimento da medicina chinesa ainda era limitado pelo fato de que ela estava apenas dispersa em assentamentos de imigrantes. Só em 1958 foi aberto um novo capítulo no desenvolvimento da medicina chinesa no Brasil: Freidrich Spaeth, fisioterapeuta da Alemanha, veio ao Brasil para praticar acupuntura e ensinou-a em São Paulo e no Rio de Janeiro. Desta forma, a medicina chinesa foi ampliada e difundida mais amplamente no Brasil.

A Associação Brasileira de Acupuntura foi fundada em 1972, por iniciativa do Spaeth, e ainda hoje atua no campo da medicina chinesa no Brasil.

Medicina Tradicional Chinesa no Brasil: Um futuro promissor

O Sindicato dos Acupunturistas do Estado de São Paulo (SATOSP) estima que existem atualmente 30.000 acupunturistas somente no estado. E segundo a Federação de Acupunturistas do Brasil (FENAB), há aproximadamente 250.000 pessoas no Brasil que estão praticando ou têm experiência no campo da acupuntura.

Ao mesmo tempo, Reginaldo também aponta algumas dificuldades encontradas no desenvolvimento da medicina chinesa no Brasil. Em primeiro lugar, no Brasil não existe uma lista oficial de registro de acupunturistas, apenas uma estimativa aproximada do número de praticantes em todo o setor. Além disso, não há uma lista oficial de escolas ou instituições educacionais recomendadas no setor, portanto os chamados acupunturistas têm diferentes graus de educação em medicina e acupuntura chinesas.

Por iniciativa de Reginaldo, a Faculdade EBRAMEC, de 21 anos, preencheu essa vaga e abriu o primeiro curso de Bacharelado em Medicina Tradicional Chinesa autorizado pelo Estado no Brasil, ministrando principalmente cursos de acupuntura, matéria médica chinesa e tuiná.

Hoje, a medicina chinesa também é mais regulamentada no Brasil. Desde que o Conselho Brasileiro de Fisioterapia certificou a acupuntura como uma profissão de fisioterapia em 1985, uma série de leis relevantes foram introduzidas que estabelecem padrões e currículos da indústria para o estudo da medicina chinesa. Para melhor padronizar o uso dos termos da MTC, a indústria também publicou o Padrão Chinês-Português para Termos Básicos da MTC.

Reginaldo acredita que na era pós-epidêmica, há ainda mais potencial para o desenvolvimento da medicina chinesa, o que pode ajudar os brasileiros a permanecerem em melhor saúde. Ele pensa que através da cooperação Brasil-Chinês e do intercâmbio de experiência e tecnologia entre os dois países, as conquistas da medicina chinesa em ambos os países podem ser frutíferas.

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