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Quem diria que o KIT Gay afinal era verdade?! Se quer entender o Brasil, conheça os seus MEMES

Brasil, República dos Memes

Por Tribuna em 15/04/2022
Quem diria que o KIT Gay afinal era verdade?! Se quer entender o Brasil, conheça os seus MEMES

Acidental ou pensado, parece que o meme se tornou um das instituições mais importantes do Brasil, os memes estão em todos os lugares e temas, elevam e destroem reputações em minutos, viralizam em redes sociais em segundos, é o poder de qualquer cidadão bem ou mal intencionado nas redes, eles ajudam na construção de uma "ciberdemocracia", conceito desenvolvido pelo filósofo e sociólogo Pierre Levy.

Fato que o Brasil ainda é um pais com uma péssima educação, porém todos se acham grande conhecedor quanto o assunto é política. é de conhecimento geral que em seus 522 anos de vida após a colonização o Brasil viveu poucos momentos de liberdade plena, onde todos podiam falar de política, até a constituição de 88, política sempre foi assunto para muitos poucos privilegiados.

Em resumo após a queda do império há 140 anos atrás, passamos por grandes períodos ditatórias, períodos onde pobres e mulheres sequer conseguiam votar, períodos onde quem falava muito sofria perseguição e torturas, acontecimentos recentes ainda na memória de cada brasileiro com cabelos brancos.

Nesses 34 anos após a redemocratização, nasceu uma nova geração que iniciou a vida com total liberdade e sua principal arma e voz se tornou a internet, fazendo o Brasil ser país mais conectado do mundo, o brasileiro gasta exatamente 10 horas e 8 minutos por dia na internet, o que equivale a 154 dias por ano. Já nas redes sociais, são 3 horas e 42 minutos por dia, o equivalente a 56 dias por ano. passamos em média, 5,4 horas por dia no celular em 2021 e lideramos esse ranking pelo segundo ano, no mundo.

Porém com pouco experiência de democracia no sangue e sem muito conteúdo para argumentar devida a péssima educação fundamental do Brasil, os "memes" se tornaram a melhor forma de expressão dessa nova geração e também de certa forma da velha que outrora tinha medo de falar e pensar sobre política e com eles se libertam nas redes. conforme aponta pesquisa da Unicamp, os memes na discussão política no Brasil tem efeito 'democratizador'.

O público é conquistado pela facilidade de compreender um conteúdo que ele acredita, compartilha, e se vê como um influenciador.

A cada escândalo surge uma nova geração de memes, sem forma de controle chegam a milhões de internautas em minutos, basta a criatividade e uma boa rede social para virar influenciador na política.

E essa semana essa criatividade brasileira foi aguçada com as sucessivas noticias do chamado por muitos de "kit gay das forças armadas", enquanto falavam de compras de picanha, cerveja e leite condensado, a criatividade ainda se limitava, mas depois do Viagra, remédio pra calvície, prótese peniana e botox, as forças Armadas se superaram e compraram LUBRIFICANTE INTÍMO, aí ninguém se conteve pois estava formado ao menos no imaginário popular o novo "Kit Gay", que outrora popularizou Bolsonaro que se elegeu presidente da republica ao combatê-lo.

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Gabriela Lunardi pesquisadora do QUT Digital Media Research Centre (Centro de Pesquisa de Mídia Digital QUT) explica "Cada país ou região tem memes diferentes, que refletem suas culturas. Os memes brasileiros retratam quem é o brasileiro e como ele lida com a cultura popular, a política e a realidade social. Eles são incrivelmente difíceis de entender para quem vê de fora porque temos esse aspecto único que é falar dos nossos problemas através do humor. Uma frase que eu gosto muito de falar para quem não é brasileiro é que “nós rimos pra não chorar”, porque acho que ela descreve perfeitamente esse nosso jeito singular de fazer humor."

Fato é que por ditos populares fazem também parte de nossa cultura e educação, e os famosos “Quem conta um conto aumenta um ponto” ou “o povo aumenta, mas não inventa” são ditados populares que se encaixam bem aos memes, que por traz das brincadeiras trazem verdades sórdidas como escreve o jornalista Jeferson Miola em seu artigo publicado:

 

"O símbolo maior de corrupção do governo das Forças Armadas é, no entanto, o esquema do orçamento secreto de mais de R$ 20 bilhões".

O Viagra, medicamento usado para tratar disfunção erétil e melhorar o desempenho sexual masculino, foi adquirido pelo Exército Brasileiro em grande quantidade e, ainda por cima, com superfaturamento de 143%, segundo denunciaram os deputados do PSB Elias Vaz/GO e Marcelo Freixo/RJ.

O ministério da Defesa, sempre muito inventivo na arte de tergiversar e mentir, alega que a compra se destina ao tratamento de militares com hipertensão arterial pulmonar. A falsa alegação é contra-arrestada pelo esclarecimento científico da coordenadora da Comissão de Circulação Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Veronica Amado.

A especialista afirma que para hipertensão pulmonar se prescreve o Viagra somente na dosagem de 20 mg. Mas o Exército adquiriu 35 mil comprimidos com dosagens de 25 mg e 50 mg, cujo emprego é exclusivo para aumentar/melhorar a ereção do pênis.

No início do ano passado, quando surgiram denúncias sobre compras esdrúxulas – e também superfaturadas – de leite condensado e de chicletes, o ministério da Defesa esclareceu de modo sui generis. Justificou a compra de toneladas de leite condensado “por seu potencial energético”, e de chicletes para compensar a “impossibilidade de escovação apropriada”.

A preocupação com a melhora da “moral das tropas” não se restringe ao Viagra. Conforme denunciado, na farra com dinheiro público o Exército também adquiriu próteses penianas infláveis, do melhor padrão do mercado, pelo valor de 3,5 milhões de reais.

Na página 106 do livro Conversa com o comandante, organizado pelo professor Celso Castro, o general Villas Bôas cita com certo regozijo o episódio – ou mimo – em que um helicóptero do 4º Batalhão de Aviação do Exército foi usado com o exclusivo propósito de levar-lhe uma revista Playboy na selva, onde estava em treinamento com a tropa há 20 dias.

Além de zelar pela luxúria e prazer dos fardados, as cúpulas das Forças Armadas também se esmeram em propiciar-lhes o desfrute de sofisticada gastronomia nos quartéis.

Enquanto milhões de brasileiros famintos catam osso no lixo para enganar a fome dolorosa, a rotina alimentar nas instalações militares é suprida com toneladas de picanha, filé mignon, cortes nobres de carne, lombo de bacalhau, camarão, frutos do mar selecionados etc.

Tudo, claro, regado a muita cerveja, uísque 12 anos e conhaques de grife, e tudo bancado com orçamento público e a valores superfaturados, conforme denúncias jornalísticas.

Por mais anedóticos e ultrajantes que possam parecer tais gastos das Forças Armadas com dinheiro público, é preciso observar que se tratam, no entanto, de pequenas amostras do descontrole e da grande corrupção que turbina o projeto político-partidário das cúpulas militares.

O governo militar protagonizou inúmeros escândalos, a maioria deles abafados ou acobertados pelo colaboracionismo fascista na PGR, PF e judiciário.

A cobrança de propinas é a moeda de troca do governo militar, como aconteceu na compra de vacinas pelo ministério da Saúde dirigido por um general da ativa do Exército, e na roubalheira em nome de deus no MEC, para ficar apenas nesses dois exemplos.

Os militares propagam um falso-moralismo, falso-profissionalismo e falso-legalismo para venderem uma imagem de austeridade, pureza, competência e incorruptibilidade. É, evidentemente, mero artifício diversionista para apresentarem-se como fundadores da consciência nacional e tutores da Nação. Sem noção do ridículo, entendem que incumbe a eles conduzir os destinos do país em lugar das elites civis incompetentes, corruptas e impuras.

A realidade, no entanto, é bastante diferente, como atestam os privilégios, nepotismos, favorecimentos, corrupção, práticas nada republicanas e, óbvio, a tremenda incompetência.

As Forças Armadas vivem de modo quase clandestino e secreto no Estado brasileiro; vivem totalmente à margem do controle do poder político, o Congresso, e das instituições civis.

É uma instituição isolada, que se autogoverna e se organiza como partido político – o partido dos generais; ou Partido Militar, como definiu Oliveiros Ferreira – que desestabiliza o sistema, conspira contra a democracia e participa ativamente de golpes contra governos democrático-populares.

Os militares administram com critérios opacos um orçamento anual de mais de 115,9 bilhões de reais [2021] do ministério da Defesa. Uma desproporção considerável em relação ao SUS, que contou com 189,9 bilhões de reais para atender 212 milhões de brasileiras e brasileiros.

Do orçamento total do ministério da Defesa, apenas 8 bilhões de reais são para investimentos, e 89,6 bilhões [77,3%] são despesas de pessoal da “família militar”. Nestas despesas de pessoal está incluído o impressionante valor de 55,6 bilhões pago a militares da reserva, reformados e pensionistas: 137,9 mil filhas de militares mortos são pensionistas. A pensão vitalícia mais antiga remonta ao ano de 1930 do século passado, paga a uma filha de militar.

Há casos notórios de burla na concessão de pensões militares, como o da neta do ditador Garrastazu Médici, adotada pelo general como filha quando ela tinha 21 anos e pais vivos. O ditador praticou esta fraude poucos meses antes de falecer, em 1985. Com isso, a pensionista forjada receberá, enquanto viver, uma pensão mensal de R$ 32,6 mil correspondente ao salário de “marechal”.

O símbolo maior de corrupção do governo das cúpulas partidarizadas das Forças Armadas, que tem nominalmente Bolsonaro na presidência é, no entanto, o esquema do bilionário orçamento secreto de mais de 20 bilhões de reais.

O orçamento secreto é o nome fantasia do regime de corrupção bilionária montado pelo partido dos generais para comprar apoio e sustentação da escória no Congresso e, desse modo, garantir a continuidade do projeto de poder dos militares.

O orçamento secreto é, enfim, o Viagra que turbina o colaboracionismo fascista e por meio do qual os larápios do Centrão foram promovidos de anões a “gigantes do orçamento”. encerrando assim Jeferson Miola.

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Veja alguns memes que viralizaram está semana:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Da editoria/Imagem: Internet.

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