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'Osso é vendido e não dado', diz cartaz em açougue; tá osso pra você, pro Guedes não

Por Tribuna em 05/10/2021
'Osso é vendido e não dado', diz cartaz em açougue; tá osso pra você, pro Guedes não

Além de pesar no orçamento, o aumento recorrente do preço da carne bovina alterou o hábito de consumo dos moradores de Florianópolis e trouxe insegurança para pequenos comerciantes. Segundo Ari dos Santos, que há 20 anos possuiu um mercado e açougue na capital, a procura pelo item diminuiu 50% nos últimos meses.

Helo Santos, de 60 anos, é uma das consumidoras que parou de comprar o item durante a pandemia e agora o substitui por ovos, peixe e legumes ou verduras. Em 2020, o consumo de carne bovina entre brasileiros caiu para o nível mais baixo em 25 anos.

"Não como mais carne de gado, não. Não tem como, está tudo muito caro", comenta.

O valor da cesta básica na Capital também aumentou na pandemia. Em agosto deste ano, o custo chegou a R$ 659 conforme o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Na lista, a carne é o produto mais caro, com aumento de 30,5% nos últimos 12 meses.

O item representou 43% do total da cesta básica, que é elaborada com seis quilos de carne de primeira linha, média prevista para suprir as necessidades calóricas de um adulto, segundo o órgão. No ano, todos os produtos tiveram aumento.

Hercílio Fernandes Neto, coordenador do Índice de Custo de Vida (ICV) da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc), explica que o aumento, em especial da carne, ocorre, entre outros fatores, por conta do aumento no preço dos insumos de produção pecuária e desvalorização do real.

Além disso, com o aumento das exportações pelos produtores brasileiros, ficou menor a oferta de grãos no mercado interno, o que elevou o custo de produção pecuária.

"O preço dos insumos para a criação do gado, do suíno, também aumentou. Mercadorias aumentaram o valor de exportação. Também, a soja subiu muito no mercado internacional. Isso fez com que suba no externo e no interno", diz Fernandes Neto.

Maria Alves, que trabalha em Florianópolis, sente o aumento da cesta básica diariamente. A vendedora de meias explica que a carne, por exemplo, é exceção nas refeições há bastante tempo. Apenas em datas especiais, como natal, festas, ou marmitas que compra com valor mais acessível, ela está presente.

De acordo com a pesquisa do Dieese, com o preço da cesta básica atual na cidade, o salário mínimo ideal deveria ser de R$5.583,90, ou 5,08 vezes o mínimo vigente atualmente, que é de R$1.100.

"Sempre foi caro para mim, eu só como [carne] na marmita às vezes, em casa não, é muito caro", diz. (Do G1)

 

 

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