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O pixuleco de R$ 30 milhões para Carlos Fernando dos Santos Lima

Por Miguel do Rosário

Por Tribuna em 19/06/2022
O pixuleco de R$ 30 milhões para Carlos Fernando dos Santos Lima

Carlos Fernando dos Santos Lima era um dos principais ideólogos da “República de Curitiba”. Era um dos procuradores que mais davam entrevistas à grande imprensa, assim como também um dos mais agressivos contra qualquer um que ousasse criticar a operação. Qualquer mínima crítica era logo classificada, por ele, como defesa da corrupção.

Lima ajudou a articular os fundamentos teóricos da operação que destruiu o sistema nacional de construção civil e engenharia, devastou a classe política, e pavimentou o caminho para o golpe de 2016 e a eleição de Bolsonaro em 2018. Após Bolsonaro assumir o governo e Sergio Moro conquistar o Ministério da Justiça, Lima decidiu se aposentar aos 55 anos. Por que alguém largaria um emprego público que está no topo da cadeia alimentar dos profissionais liberais do país? Fácil: para ganhar mais dinheiro na famigerada “indústria de compliance”.

E agora a bomba. O TCU descobriu que a empresa criada por Lima, a W Faria, recebeu R$ 28 milhões da Eletrobrás como pagamento de serviços de compliance. Nada menos que 100% desse valores, segundo o TCU, foram irregulares, ou superfaturados. Em linguagem popular, Lima teria recebido um pixuleco de quase 30 milhões de reais. O modus operandi de Lima foi seguido por vários outros procuradores da Lava Jato, além do juiz Sergio Moro.

Os procuradores desestabilizaram grandes empresas nacionais, e depois  se organizaram para lucrar com os despojos de guerra, vendendo “serviços de consultoria em compliance” para as mesmas companhias ou para escritórios de advogado que as representavam.

O relatório também envolve a ex-ministra do STF, Ellen Grace, representante da empresa Hogan Lovells, que recebeu R$ 81 milhões da Eletrobrás, dos quais 83%, segundo investigação do TCU, teriam sido superfaturados. Moro também é investigado pelo TCU, por conta de seus negócios milionários com a Alvarez Marsal, empresa americana que passou a gerir a massa falida de algumas empresas afetadas pela Lava Jato, como a Odebrecht.

Diante de mais esse escândalo, não é mais possível dizer que a Lava Jato foi a ”maior operação de combate a corrupção da história”. O contrário é mais verdadeiro. A Lava Jato, e isso fica mais claro a cada dia que passa, foi uma operação essencialmente ilegal, que atropelou princípios constitucionais básicos, e que terminou com seus membros arrancando milhões de reais (ou dólares) das mesmas empresas que eles investigaram, desestabilizaram, desossaram e, em alguns casos, destruíram.

Se gritar pega ladrão…

Aguarde..