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O 1º de maio do criminoso Riocentro 1981, começou com a destruição da Tribuna da Imprensa no mesmo 1981. O coronel Job Lorena, negro foi promovido a general, preconceito, discriminação, racismo.

Por HELIO FERNANDES – In Memoriam

Por Hélio Fernandes – In Memoriam em 22/05/2022
O 1º de maio do criminoso Riocentro 1981, começou com a destruição da Tribuna da Imprensa no mesmo 1981. O coronel Job Lorena, negro foi promovido a general, preconceito, discriminação, racismo.

PARTE - I

Comissão da Verdade “inventou a pólvora” ao revelar (?) “que generais sabiam do atentado do Riocentro, em 1981”. Não só sabiam como participaram de tudo, os generais Newton Cruz, Chefe da Agência Central do SNI em Brasília, e o Quatro Estrelas, Otávio Medeiros. 

Este, muito mais importante por ser o Diretor geral desse mesmo SNI, como também o único herdeiro da prorrogação da ditadura. Com mais um general, que seria ele.

E o atentado só tinha um objetivo: ataque monstruoso, (felizmente fracassado) eram torturadores mas não queriam abrir mão do Poder. 

A partir de 1981, escrevi muito sobre os atentados 

O primeiro movimento pela continuação da ditadura foi à destruição da Tribuna da Imprensa, em fevereiro de 1981. Era vingança e ao mesmo tempo teste para o que pretendiam desesperadamente: a continuação do regime de exceção, torturador, assassino, arbitrário, autoritário, atrabiliário. 

Meu depoimento no Senado: seis horas sem parar para beber água 

Contei minuciosamente como planejaram e executaram o atentado contra a Tribuna da Imprensa. Mostrei com nomes a participação total e absoluta, do general Otávio Medeiros. Foi o Chefe de tudo, pelo cargo que ocupava, e o que viria a ocupar se tudo desse certo. 

Meu depoimento 

Senadores e deputados, estarrecidos e perplexos com o que eu contava com a maior tranqüilidade. (Já disse há tempos, minha forma de expressão é a palavra escrita mas também a palavra falada. Tido e havido durante anos, como o jornalista mais bem informado, estava à vontade). 

Não sabia nada do Riocentro 

No final de fevereiro não tinha informação sobre o que planejavam para 1º de maio desse mesmo 1981. Embora, mais tarde, viesse a saber que quando fui ao Senado, (CPI do Terror, presidente senador Mendes Canale, Relator, senador depois governador, Franco Montoro) essa monstruosidade já estava sendo planejada. E reforçada com o sucesso da depredação da Tribuna, que a Comissão da Verdade ignora ou não considera. 

O depoimento desapareceu 

Foi um estrondo. O pessoal do SNI, “revoltado”, premeditou represália, que não conseguiram consumar. E continuaram com o planejamento do Riocentro. Ficaram satisfeitos com o fato de no meu depoimento não haver uma linha sobre o que planejavam.

Mas de qualquer maneira, decidiram “sumir” com meu depoimento. Não soube logo. Mais tarde, como tudo foi de improviso, tentei uma cópia do que falei, nenhum senador encontrou. Até hoje, permanece o sigilo. A Comissão, em vez de se “promover”, tem poderes para encontrar o depoimento, e se abastecer dos dados e revelações que estão ali. 

Os autores do Riocentro investigam eles mesmos 

Consumado o fracasso, ficaram apavorados. Ainda sobravam 4 anos para o “presidente” Figueiredo. Mas ele, consultado pelo general Otávio Medeiros, se negou terminantemente a dar “cobertura a criminosos como os que planejaram e executaram essa violência”. 

PARTE - II

Otávio Medeiros chama o coronel Job Lorena 

Precisavam de alguém que modificasse todo o cenário, transformasse os autores criminosos em vítimas. Para isso era indispensável uma investigação-relatório que mudasse tudo, inocentasse os criminosos.

Por que a predileção pelo coronel Job Lorena? Era negro, não seria promovido de jeito algum a general. Otávio Medeiros disse a ele, textualmente, palavra por palavra: “Reservei para o senhor a missão honrosa de defender o Exército. Querem nos acusar do atentado do Riocentro, somos vítimas”.

Manuseou um falso almanaque, disse para Job: “Estou vendo aqui, você está “na bica” (palavreado da caserna) para ir a general. Como coronel, no máximo em 10 dias você terá o relatório pronto, sua promoção a general talvez saia até antes disso. E entregou ao coronel, 4 ou 5 laudas com tudo o que ele deveria escrever. 

O relatório e a promoção 

As duas coisas coincidiram. A investigação estava perfeita, dias depois Job era promovido a general. Usaram o preconceito, a discriminação, o racismo, Job Lorena não tem culpa alguma. Se recusasse, passaria para a reserva como coronel, “sem méritos e sem honra”.

Aceitou, 1 ano depois foi passado para a reserva, sem saber, mas na interpretação de Otávio Medeiros, “glorificado”. 

O PT quer desenterrar o poste chamado Padilha 

Ainda está no mesmo lugar, por falta de alicerce, quer dizer de profundidade. Como Lula lançou o ex-ministro apressadamente, os supostos ou previsíveis candidatos, ficaram inelegíveis. Mercadante, Dona Marta, não ganhariam mas poderiam concorrer. 

Eduardo Suplicy, cujo mandato termina agora, já se ofereceu como candidato. Concorreu contra Covas-Alckmin em 1994, perdeu feio. Agora queriam tirar dele até a possibilidade de reeleição no senado. Para governar, o PT tem feito pesquisas informais, que não ajudam Suplicy. 

Assad “conquistará” o terceiro mandato na Síria 

Depois de três anos de guerra civil, com quase 200 mil mortos e mais de um milhão que tiveram que sair do país, foi marcada eleição para três de junho, pouco mais de 1 mês.

É um dos raros ditadores que concorre a eleições. Esse “concorre” é uma farsa verbal ou lingüística. Como quase tudo o que vem acontecendo na Síria, nesses 14 anos de Assad. E que na certa não se modificará nos próximos 7 de domínio de Assad.  

O mundo não sabe o que se passa na Síria 

Logo que começou a luta dos “rebeldes”, a comunicação do mundo inteiro, “dava poucos meses de permanência de Assad no Poder”. Não aconteceu, ele resistiu sem sair do país, embora pelo noticiário, “já estava derrubado”. 

A guerra civil e o fortalecimento dele 

O mundo continuou sendo enganado com as “vitórias dos rebeldes”, que ganhavam manchetes mas perdiam a guerra. Obama entrou no cenário, deu a impressão de que ajudaria o afastamento de Assad, só fez fortalecê-lo.

Aquela história de “ataque sem tropas, sem mortos, sem violência, o grande equívoco do presidente dos EUA”.

Eram tempos de bom relacionamento Rússia-EUA, Putin enganou deliberadamente Obama, fortaleceu Assad. O acordo de Genebra não saiu do papel, as armas químicas também não saíram da Síria. A não ser as que estavam com a validade vencida. 

Assad candidato único, como perder? 

Assad tem aparecido em fotos, não dentro do palácio, mas na rua, lógico, ruas bem perto dos fundos de suas moradias. Ficará mais sete anos, é muito tempo para análise, principalmente num país como “democracia de candidato único”. Por aqueles lados, “todas” (mas todas mesmo) as democracias, são ditatoriais. Ninguém discute, protesta, mostra indignação.

FINAL.

Por Helio Fernandes – jornalista-editor da Tribuna da Imprensa (in memorian)

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