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Mamata: Forças Armadas cobra R$ 110 milhões para ajudar nas eleições, enquanto civis trabalham de graça

Mercenários são os que agem ou trabalham apenas por interesse financeiro, por dinheiro ou algo que represente vantagens materiais; interesseiro, venal.

Por Tribuna em 13/05/2022
Mamata: Forças Armadas cobra R$ 110 milhões para ajudar nas eleições, enquanto civis trabalham de graça

As Forças Armadas cobram R$ 110 milhões para ajudar nas eleições, este valor, pago pela Corte, equivale a um aumento de 64% em relação ao que havia sido gasto em 2018 para o mesmo tipo de serviço.

O TSE pagou  ao Ministério da Defesa R$ 56,2 milhões em 2018 pelo mesmo serviço, que é apoio logístico, como o transporte de urnas a locais remotos de barco ou avião, além do pagamento de diárias a militares que ficam de prontidão para garantir a segurança no dia da votação.

De acordo com informações repassadas à CNN, a quantia é definida pelo Ministério da Defesa, que faz a solicitação do pagamento ao TSE.

O apoio logístico envolve também o transporte e alimentação para os que estão à serviço da Justiça Eleitoral.

No dia da votação, os militares ficam sob o regime da chamada Garantia da Votação e da Apuração (GVA), semelhante à Garantia da Lei e da Ordem (GLO), mas utilizada especificamente para manter a normalidade da segurança pública nos locais de votação e de apuração durante o processo eleitoral.

Apesar de receber esse dinheirão para fazer o que devia ser uma obrigação, já que os mesários e fiscais civis são convocados e trabalham sem nada receber por isso em todas eleições, muitos oficiais ainda tem coragem de questionar o sistema eleitoral do país, mesmo sem apresentar qualquer evidência de irregularidades nas urnas eletrônicas.

Vale lembrar que segundo a Agência Senado, o Ministério da Defesa ficou com maior parte dos novos investimentos do Orçamento de 2022, a Defesa superou Transporte e Educação e passou a ocupar o primeiro lugar da lista.

Os gastos do Ministério da Defesa são predominantemente com pessoal e essa despesa não para de crescer e consome quase todo a previsão de gastos da pasta, superando a casa de 80%.

Logo, esses dados refletem as discrepâncias dos gastos com a Defesa do governo brasileiro que precisam ser melhor alocados em vez de ampliados. Vale lembrar que os privilégios dos militares aumentaram na gestão de Bolsonaro. Além de ficarem fora do grosso da reforma da Previdência em 2019, os militares foram a única categoria que teve reajuste nos últimos dois anos.

Enquanto isso, os rendimentos do funcionalismo civil foram congelados como moeda de troca para a aprovação do Orçamento de Guerra contra a pandemia da covid-19. Aliás, a presença de militares em um governo civil nunca foi tão expressiva desde a redemocratização e muitos deles estão envolvidos em escândalos de corrupção que estão sendo revelados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado Federal ao ponto do presidente da Comissão, o senador Omar Aziz (PSD-AM), fazer a declaração sobre o lado podre dos militares que provocou a reação dura do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, que era o coordenador do governo federal das ações no combate à covid-19 quando era ministro-chefe da Casa Civil, e foi vista como forma de intimidação do Senado por Aziz.

De acordo com dados do Tribunal de Contas da União (TCU) de julho no ano passado, houve um aumento de 122,7% no número de oficiais das Forças Armadas em cargos do Executivo na gestão de Bolsonaro. O contingente passou de 2.765, em 2018, para 6.157, em 2020, e já chega a quase 8.000 em 2022, Esse aumento desproporcional da presença de militares no governo chama a atenção de acadêmicos, porque vai na contramão de democracias consolidadas que não costumam ter tantos militares em cargos civis.

“É preocupante pensar que esse aumento de despesas com a Defesa pode ser direcionado para gastos com pessoal, aposentadorias e pensões, que consomem quase todo o orçamento da pasta” alerta Gil Castello Branco, secretário-geral da Associação Contas Abertas.

Os desembolsos do Brasil com a Defesa em 2020 somou US$ 19,7 bilhões, o que fez o país passar da 13ª para a 15ª posição no ranking das 40 economias com os maiores gastos militares no mundo.

Esse montante é próximo ao orçamento militar de Israel (de US$ 21 bilhões, que vive em clima de guerra constante devido ao conflito eterno com os palestinos). Em proporção ao PIB, o Brasil chega a gastar mais do que o Japão, que dispensa 1% de toda a riqueza produzida pelo país asiático sede dos jogos olímpicos.

Fonte: CNN, BBC, Senado Federal

Imagem: Rede Social

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