Informação, publicidade e prestação de serviços a comunidade | 15 de Agosto de 2022

Maior operação contra o trabalho escravo no Brasil resgata mais de 300 pessoas em 24 dias

Por Tribuna em 28/07/2022
Maior operação contra o trabalho escravo no Brasil resgata mais de 300 pessoas em 24 dias

Investigadores de uma força-tarefa apresentaram, nesta quinta-feira (28), o balanço de uma operação que libertou centenas de brasileiros que trabalhavam em situação semelhante à de escravidão.

Uma barraca improvisada, uma casa precária e um galinheiro desativado eram os alojamentos de 29 trabalhadores rurais em Rondônia. Durante três meses, eles trabalharam na plantação de soja, de domingo a domingo, por mais de 10 horas por dia. Segundo os investigadores, comiam pouco e bebiam água do rio; não tinham carteira assinada nem salário.

Do dia 4 de julho até esta quinta, quase 50 equipes de fiscalização resgataram 337 pessoas em condições semelhantes à escravidão, em vários pontos do país. A maioria trabalhava em fazendas, no plantio e na colheita, e também na criação de animais para corte.

"O trabalho escravo não é uma ficção, mas uma realidade que tem ser banida dos nossos sistemas sociais", afirma Carlos Frederico Santos, subprocurador-geral da República.

No Acre, o combate ao trabalho escravo esbarrou com outro crime, o desmatamento. Segundo os fiscais, os trabalhadores tinham que caminhar longas distâncias sem água, ficavam em barracas de madeira cobertas com lona ou palha, e cozinhavam no chão.

Os investigadores também resgataram seis trabalhadoras domésticas, cinco crianças e adolescentes, e quatro estrangeiros, vindos do Paraguai e da Venezuela. Segundo as equipes, pelo menos 149 pessoas resgatadas também são vítimas do crime de tráfico de pessoas.

Minas Gerais e Goiás tiveram mais pessoas resgatadas. Em Minas, a operação flagrou trabalho escravo em uma clínica de reabilitação de dependentes químicos. Em duas fazendas no interior de Goiás, 77 pessoas viviam em condições insalubres para trabalhar na colheita de palha para fabricação de cigarros.

Os responsáveis foram multados e terão de assinar a carteira dos trabalhadores, além de pagar os salários e todos os direitos atrasados - valor que, segundo os investigadores, pode chegar a quase R$ 4 milhões. E eles ainda devem responder a um processo na Justiça pelo crime.

Cada um dos trabalhadores resgatados vai receber três parcelas do seguro-desemprego especial, criado para esses casos, no valor de um salário mínimo cada.

Ao apresentar o balanço da operação, o procurador do Ministério Público do Trabalho disse que esse crime aumentou durante a pandemia. Este ano, os investigadores encontraram situações piores do que no ano passado, quando resgataram 136 trabalhadores.

“Nem sempre a realidade prometida é a que se verifica quando o trabalhador chega no seu local de trabalho. Prometem carteira assinada, prometem um salário ‘x’, prometem alojamentos bons. Quando eles chegam nos destinos, a realidade não é essa”, diz Italvar Felipe de Paiva Medina.

O subprocurador-geral da República diz que é importante a população denunciar.

“A participação da sociedade civil nesse combate é muito importante, é muito importante que se dirija a esses órgãos, que digam o que estão vendo de estranho com relação a trabalhos escravo, de exploração de pessoas, de tráfico de pessoas. [Caso] vejam alguma situação implicada com isso, procurem esses órgãos que estão aqui presentes para que possam ser tomadas atitudes e que possam tornar, exatamente, essas pessoas que exploram um alvo dessas operações”, orienta Carlos Frederico.

Aguarde..