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Governadores intocáveis, blindados e dissimulados vão ao STF pedir para não comparecer na CPI

Por Tribuna em 31/05/2021
Governadores intocáveis, blindados e dissimulados vão ao STF pedir para não comparecer na CPI

Governadores de 18 Estados e do Distrito Federal enviaram na quarta-feira (27/05) uma carta ao presidente da CPI da Covid do Senado, senador Omar Aziz (PSD-AM), pedindo que o mesmo reconsidere a convocação de chefes de Executivos estaduais para depor na comissão. Resta saber seu o digníssimo senador ira acusar o recebimento do documento, vez que seu gabinete anda “batendo cabeça”. A pergunta que se exige resposta é da real razão em que governadores temem comparecer a CPI?

O medo ronda os políticos envolvidos em falcatruas com a verba pública destinada ao combate à pandemia. Acrescenta-se a informação acima que na sexta-feira (28/05) Governadores de 17 Estados e do Distrito Federal receosos de caírem em contradição, ou como dizem os juristas “fazer prova contra si mesmo”, entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a convocação de chefes de Executivos estaduais para depor na CPI da Covid do Senado. Na mesma esteira dos governadores estão os prefeitos.  Ao Supremo, os governadores alegaram que a decisão da CPI “viola inegavelmente o pacto federativo e o princípio da separação dos Poderes”.

Politicagem e palanque na CPI enquanto brasileiros continuam morrendo

A condução da CPI da Covid no Senado ainda não produziu resultados convincentes para apurar à responsabilidade da lenta vacinação no país. As razões que levaram o governo Bolsonaro a rejeitar as ofertas de vacinas em 2020 não estão totalmente claras, mas algumas delas foram apontadas também pelo ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em seu depoimento à CPI da Covid. As mortes de milhares de brasileiros, parece passar ao largo de interesses , mais eleitoreiros que programáticos quanto a crise sanitária.

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Um dos momentos positivos ficou por conta da revelação quanto a vacina da Pfizer. Em seu depoimento Pazuello, citou alguns obstáculos para assinar o contrato. Um deles era o preço de US$ 10 (cerca de R$ 50) por dose, mais alto que outro imunizante negociado pelo governo federal com a farmacêutica AstraZeneca (US$ 3,50 ou cerca de R$ 18). O valor de US$ 10 acabaria sendo aceito pelo governo Bolsonaro sete meses depois.

Pfizer e AstraZeneca no banco dos réus da CPI

Outros empecilhos, segundo Pazuello, eram a quantidade pequena de vacinas, a não transferência de tecnologia para o país (presente nos contratos com a AstraZeneca e com a Sinovac) e "cláusulas assustadoras" e "leoninas" no contrato com a Pfizer.
Pazuello chegou afirmar que uma delas era a exigência de isenção de responsabilidade da farmacêutica sobre eventuais efeitos colaterais. Já de acordo com a Pfizer, os termos contratuais eram padronizados e foram aceitos pelos demais países do mundo que adquiriram, antes mesmo do Brasil, as vacinas da empresa.

No caso da vacina Coronavac, produzida em parceria entre o Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac, Dimas Covas afirmou que depois de meses de negociação e insistência, um documento de compromisso de compra chegou a ser acertado entre o Butantan e o governo federal em outubro, mas o presidente Jair Bolsonaro "mandou cancelar" o contrato e o compromisso "ficou em suspenso".

Convém lembrar que em entrevista à rádio Jovem Pan em outubro de 2020, Bolsonaro disse que o governo federal não compraria nenhuma vacina oriunda da China, mesmo que ela fosse aprovada pela Anvisa.

"Da China nós não compraremos. É decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população pela sua origem. Esse é o pensamento nosso", disse Bolsonaro, que acabaria fechando o contrato em janeiro de 2021. Até o fim de abril, quase 80% das vacinas aplicadas no Brasil eram a Coronavac.

Da Redação/BBC News/Imagens: Cognis e redes sociais

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