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Exmo Sr Presidente, O Brasil está de luto e transborda indignação pela fome e esperança pelas eleições

Por Tribuna em 12/06/2022
Exmo Sr Presidente, O Brasil está de luto e transborda indignação pela fome e esperança pelas eleições

Não um luto paralisante, mas um luto que desperta para a luta, porque além da dor, meu povo transborda indignação e esperança.

Transborda Indignação, porque historicamente toda a riqueza produzida pelo meu povo não lhe pertenceu. Quando muito, migalhas para que pudessem sobreviver e voltar a trabalhar no dia seguinte, e hoje a fome volta a assolar 33 milhões de brasileiros.

Nosso país, e a mistura que somos, surgiu de uma invasão que primeiro tomou a força a terra dos índios, os escravizaram para trabalharem a força, e depois os mataram por conveniência de pilhagem e grilagem primitiva.

O assustador, senhor presidente, é a gente ver isso acontecer com a indiferença e conivência criminosa 522 anos depois, e de forma acelerada nos últimos 18 meses.

A marcha impune para a Amazônia sobre terras públicas e territórios indígenas, com a promessa de anistia e regularização das terras recém invadidas e roubadas é estarrecedora, não acham? Não deveríamos todos nos estarrecer?

Transborda Indignação, senhor presidente, porque durante toda a nossa história, os dirigentes da nova sociedade que se construía, sequestraram negros africanos, os trouxeram à força, e desenvolveram técnicas de tortura para fazê-los trabalhar sob corrente, chicote e fogo, para que esta minoria, essa elite, acumulasse mais e mais riquezas.

E isso, senhor presidente e senhores deputados, não foi por 338 dias, o que já seria uma tragédia humana. Foi por 338 anos. E a indignação é latente porque de certa forma esta tragédia ainda não acabou, mesmo passados 132 anos da abolição.

A lei abolicionista atendeu aos interesses da elite e excluiu a população negra. Dentre tantos projetos em discussão, o projeto de abolição vitorioso no Brasil relegou aos negros o abandono e a repressão, ou quando muito, uma espécie de subcidadania. 

Nestes bolsões comunitários de abandono e pobreza foram se unindo brancos pobres e mestiços. Com a explosão da construção civil a partir da segunda metade do século passado, foram surgindo cidades inteiras, ou bairros, ou favelas, com a predominância de nordestinos pobres, carne barata para consumo nas fundações e nos andaimes.

Transborda Indignação, senhor presidente, senhores deputados, porque, para que este modelo vingasse, a elite desse tipo de Brasil que estava sendo construído precisou criar um código moral de que negros não eram gente, e precisou ensinar isso aos seus filhos até que acreditassem, para que, quando crescessem e herdassem os "negócios" da família, dessem continuidade ao relacionamento desumano e cruel sem que isso lhes causasse conflitos de culpa.

Transborda Indignação, senhoras e senhores deputados, porque essas narrativas de ódio e indiferença à dor do outro, ganharam consistência ideológica e estruturas para serem difundidas e reproduzidas de forma cada vez mais efetiva.

Afinal, esta elite precisava ser vista como uma referência ética e moral de grandeza a ser copiada, e não como seres asquerosos e desalmados.

É claro que estes valores de supremacia branca e supremacia financeira como ordem natural das coisas se consolidaram como visão de mundo dominante na sociedade em construção, com objetivo inclusive de levar os excluídos a acreditarem nessa imoralidade.

Não estranhem, senhores, pois fazem este tipo de campanha até hoje, e abertamente, embora maquiada para gerar aceitação no seu tempo. É o caso da campanha desonesta e mentirosa da "MERITOCRACIA" como desculpa esfarrapada para tentar "justificar" o fato de que alguns poucos estão no topo da pirâmide social e financeira, com um volume de riqueza que não conseguiriam gastar nem se vivessem 100 vidas, enquanto outros morrem de fome e de outras formas de violência e desumanidade.

Não é possível alguém considerar ético encher o peito e abrir a boca para esbravejar que um menino ou menina que aos seis ou sete anos de idade vai para as ruas trabalhar de alguma forma, seja engraxando sapatos, tomando conta de carros, vendendo bala, ou embalando drogas, como formas de tentar ajudar no sustento da família, tenha a mesma oportunidade de competir em pé de igualdade com um outro jovem que foi bem alimentado desde o ventre materno, como todos deveriam ser, e que teve tempo e acesso às melhores escolas do mundo especializadas em preparar os herdeiros e sucessores empresariais, e em capacitar a mão de obra altamente qualificada para responder a demandada do processo produtivo atual.

A meritocracia, portanto, é, no lato sensu, uma narrativa desonesta, racista, eticamente criminosa, e manipulatória.

Transborda Indignação, senhor presidente, porque isso é antigo. Criam argumentos pra justificar os resultados, e depois usam os resultados para reforçarem os argumentos.

Foi assim, quando da abolição da escravidão, pois não deram aos negros nem formação profissional, nem habitação, e muito menos linhas de crédito para que empreendessem, deixando-lhes basicamente três direitos: o direito de subir os morros próximos ao centro do Rio para viverem amontoados em barracos improvisados onde os brancos ricos não queriam morar; o direito de descerem o morro para carregar peso no centro do Rio já que propositalmente não tinham formação; e o direito de subir o morro com uma lata d'água.

Covardemente usavam essa condição sub humana de existência para fortalecer seus argumentos de inferioridade dos negros, dizendo que apesar de não serem mais escravos estavam ali vivendo naquelas condições, como se fosse uma escolha livre.

Exmo Sr Presidente, O Brasil está de luto pelas mortes

Não um luto paralisante, mas um luto que desperta para a luta, porque além da dor, o país transborda indignação e esperança.

Estamos de luto por Paulo Paulino Guajajara, líder indígena guardião da floresta assassinado a tiros numa emboscada quando caçava na terra Arariboia.

Estamos de luto por João Vitor da Rocha de 18 anos que foi assassinado durante uma entrega de cestas básicas.

Estamos de luto por João Pedro Mattos Pinto de 14 anos assassinado dentro de casa.

Estamos de luto pelos milhares e milhares de George(s) Floyd(s) que morrem por ano no Brasil em sua maioria negros e pela ação do estado, mesmo que não se tornem públicos estes assassinatos, mas todos aqui sabemos que suas famílias sangram para sempre.

Estamos de luto porque ultrapassamos 670 mil mortos pela COVID-19, número maior que os "30 mil que a ditadura deveria ter matado", segundo as palavras proferidas no passado pelo atual presidente.

O vírus é invisível e não chegou aqui por causa do presidente, mas se alastrou por causa dele, e ele terá que responder por isto. Essas mortes eram evitáveis.

Tivemos todo o tempo do mundo para aprender com as experiências, fossem erros ou acertos, de diversos países do mundo. O presidente brasileiro utilizou e utiliza sua posição de líder da nação para semear a confusão, desacreditado a ciência, e convidando as pessoas às ruas para a contaminação e a morte, e desqualificado os esforços dos gestores. Não unificou a gestão nacional da crise, e ainda enfrenta e desqualifica as ações e medidas dos gestores locais para mitigar as consequências da pandemia.

Agiu assim, negando a vacina, e ao mesmo tempo em que não governa, e vive como se ainda estivesse em campanha todos os dias, seja contra inimigos imaginários, ou contra inimigos que cria na realidade, se isolando, e isolando o Brasil diante de um cenário onde a cooperação internacional se apresenta imperativamente como o único caminho para vencermos a crise de saúde, sanitária e econômica, que é mundial.

Exmo Sr Presidente, O Brasil está de luto e transborda indignação e esperança.

Não um luto paralisante, mas um luto que desperta para a luta, porque além da dor, o país transborda indignação e esperança.

Transborda esperança, porque somos um país rico. Muito rico. Temos ouro, ferro, bauxita, manganês, cobre, nitratos, nióbio, petróleo, urânio, gás natural, luz solar abundante, a maior concentração de água doce do mundo, e a maior biodiversidade de todo o planeta.

Transborda esperança, porque aqui não temos desertos, geleiras, vulcões, tornados, ciclones, furacões, terremotos, e tsunamis, estes fenômenos que fazem parte da geodinâmica da terra, não em níveis de agressividade e adversidades que surpreende e desafia a existência humana em várias regiões do mundo.

O que temos predominantemente é um clima e um solo tanto diverso, quanto belo e fértil, que parece reservado a um momento da humanidade, para que aqui se desenvolva uma civilização, com a missão de mostrar ao mundo, que é possível viver em harmonia com produção do conhecimento, produção de riqueza e do bem estar para todos.

E o faríamos de forma tão abundante que inspiraríamos ajudaríamos o mundo a construir um caminho calçado na cooperação, na solidariedade e no amor a todos os povos do Brasil o do mundo.

Transborda esperança, sobretudo, pelo principal patrimônio que temos: O povo brasileiro. Uma gente linda, que ri, que chora, que se apaixona, que ama, que trabalha duro, que enfrenta qualquer tipo de adversidade pra prover o melhor para a sua família, e que nunca abre mão do abraço entre amigos.

É um povo que gosta de gente e adora conhecer gente nova. Se for estrangeiro então, é uma festa. Nossa gente tem coragem, força e criatividade para trabalhar duro e produzir muita riqueza. Sim, o nosso povo é assim.

Talvez alguém não entenda ou discorde, mas isso é natural, pois não estou falando neste contexto de todos os brasileiros. Me refiro especificamente agora aos trabalhadores da cidade e do campo, às pessoas simples e infinitamente mais humanas. Quando falo trabalhadores, estou incluindo todos que dependem do próprio trabalho para sobreviver e prover para a sobrevivência dos seus.

Estou incluindo, portanto, os desempregados, os sub empregados, os precarizados, as exploradas domésticas, os autônomos produtores de bens manufaturados, os autônomos prestadores de serviço, os servidores públicos, os posseiros rurais, meeiros, trabalhadores sazonais, as unidades rurais de produção familiar...

Este é o maior de todos os nossos patrimônios. Estes são predominantemente o povo brasileiro, embora alguns poucos se achem mais brasileiros do que estes.

Exmo Sr Presidente, O Brasil está de luto pela Desigualdade

Mas não pude ser um luto paralisante, e sim, um luto que desperte para a luta, porque além da dor, no parlamento brasileiro também deve transbordar indignação e esperança.

Vivemos em tempos de miséria na fartura, artes sem beleza, filosofia sem verdade, moral sem bondade, erotismo sem amor, política sem justiça, religião sem transcendência condenando a inteligência ao exílio, se expressando pela aprovação social.

Lutar hoje, significa devolver aos trabalhadores os direitos que lhes foram roubados, e barrar a política econômica que promove mais concentração de riqueza para uns, e farta distribuição de dor e desespero para a maioria dos brasileiros. Não abriremos mão desse protagonismo.

Entretanto, lutar hoje, também significa nos unirmos numa ampla frente democrática capaz de unir todos os defensores da vida, sejam de direita, de esquerda ou de centro, para proteger a democracia representativa, para defender as instituições que a sustentam, e para garantir os direitos fundamentais das pessoas diante da ameaça fascista.

Uma frente dessa magnitude e amplitude, só se consolidaria como verdadeira se garantisse a manutenção da identidade de todos os integrantes, sejam organizações políticas ou sociais, em torno de uma única palavra de ordem, o restabelecimento da normalidade democrática, sem contornos programáticos que acabariam por demarcar hegemonia de partes sobre o todo, o que desmancharia a Frente no seu nascedouro.

Precisa, portanto, resguardar o direito de resolver as diferenças programáticas de seus integrantes no processo eleitoral decorrente da vitória sobre o fascismo.

O ovo da serpente não está próximo de eclodir. Já eclodiu e mata todos os dias e noites, das mais variadas formas, e promete matar muito mais.

O mundo já passou por isso e está estarrecido, mas irmanado ombro a ombro com a maioria dos brasileiros, na luta para defender a liberdade, o respeito a vida, e a civilização humana, VIVA AS ELEIÇÕES 2022.

Da Redação - Editoria Ralph Lichotti

Comentários

  • O texto é, de fato, bastante apaixonado! E geralmente a a paixão arrebata nossos sentidos e turva nossa razão. Quero acreditar que seja isso e não uma atitude meramente desleal, de alguém com viés político de esquerda que ignora o fato de que o mundo inteiro está em crise e, apesar disso, há grandes avanços que o Brasil tem alcançado, hoje na 9 posição no ranking econômico mundial, apesar da crise global. Enfim, culpar o Presidente é sempre o discurso mais fácil e oportunista.
    Jaiton Tavares
    17/06/2022
Aguarde..