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Entrevista com professor Rafael Almada, Reitor reeleito do Instituto Federal do Rio de Janeiro – IFRJ

Reitor reeleito do Instituto Federal do Rio de Janeiro – IFRJ

Por Tribuna em 31/05/2022
Entrevista com professor Rafael Almada, Reitor reeleito do Instituto Federal do Rio de Janeiro – IFRJ

Professor Rafael Almada é carioca, nascido e criado no Pavuna, bairro do subúrbio carioca, foi estudante do curso técnico em Química da unidade descentralizada de Nilópolis da antiga Escola Técnica Federal de Química, que hoje é exatamente um dos Campi do IFRJ, instituição que administra. Doutor em Engenharia Química pela COPPE da UFRJ, foi reconduzido ao cargo de Reitor do IFRJ para os próximos quatro anos. A posse ocorreu nesta terça-feira, 31 de maio, em Brasília.

A Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, vinculada ao Ministério da Educação, é constituída pelos 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia - Institutos Federais, distribuídos nos 26 estados e no distrito Federal. O mandato de reitor é de quatro anos, permitida uma recondução, após processo de consulta à comunidade do respectivo campus, atribuindo-se o peso de 1/3 (um terço) para os votos de docente, de técnico-administrativos e de estudantes.

Almada é o quarto reitor da instituição e o único a ser reeleito pela comunidade acadêmica. No último pleito, foi reeleito com quase 70% dos votos válidos de servidores e estudantes, consolidando uma gestão que foca em resultados, inovação e articulação com instituições governamentais, setores produtivos, culturais e sociais.

Cabe ressaltar que sua formação acadêmica segue presente em sua atuação, já que além da gestão do IFRJ, Almada ocupa também seu segundo mandato na presidência do Conselho Regional de Química do Rio de Janeiro, com atuação dinâmica nas atividades do Sistema CFQ/CRQs, onde coordena o Comitê de Relações Institucionais e Governamentais (CRIG) do Conselho Federal de Química.

Tribuna da Imprensa – Para quem não conhece o IFRJ, poderia nos falar um pouco da história e dimensão da instituição?

Reitor Rafael Almada - O Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) é a antiga Escola Técnica de Química do Rio de Janeiro (ETQ-RJ), que em 2003 se transformou em Centro Federal de Educação Tecnológica de Química de Nilópolis (CEFET-Química) e, em 2008, foi incorporado à sua estrutura o então Colégio Agrícola Nilo Peçanha (CANP), instituição originária da Escola Média de Agricultura Técnica de Pinheiro, criada em 1910. Essa junção criou o nosso IFRJ.

O IFRJ atualmente possui 17.546 estudantes matriculados e 2021 servidores, entre professores e técnicos, distribuídos em 15 campi na Região Metropolitana, Baixada Fluminense e Sul Fluminense. A gente pode até listar as cidades: Arraial do Cabo, Belford Roxo, Duque de Caxias, Engenheiro Paulo de Frontin, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Paracambi, Pinheiral, Realengo, Resende, Rio de Janeiro, São Gonçalo, São João de Meriti e Volta Redonda.

No Rio de Janeiro, temos dois institutos Federais: o Instituto Federal Fluminense (IFF) e o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), além do Colégio Pedro II e o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), que também fazem parte da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.

 

Tribuna da Imprensa - Como é ser o reitor mais jovem do estado e o segundo mais jovem do Brasil? Qual balanço que o senhor faz do seu mandato?

Reitor Rafael Almada - Ser jovem nem sempre é fácil, quando estamos falando em se destacar em ocupar funções de liderança. Já sofri muito preconceito por ter que provar que sou capaz, mesmo apesar da juventude. A experiencia profissional surge na junção de qualificação e experiência. A experiência eu estou construindo e jamais poderei lutar contra a falta de tempo nas funções.

A capacitação, eu batalhei muito por ela. Defendi meu doutorado antes dos 30 anos e já tenho mais 15 anos de magistério, ocupando cargos na gestão pública desde 2010. Em 2013, eu perdi uma eleição para reitor, pois professores não votaram em mim por eu ser jovem.

O que não aconteceu nos segmentos dos técnicos e estudantes, que viram na juventude uma oportunidade de trabalhar e conseguir mais garra no trabalho. Depois, trabalhei no MEC em Brasília e voltei pronto para ser eleito em 2018 para o nosso primeiro mandato.

Nesse primeiro momento tivemos dois grandes desafios: o primeiro foi organizar a casa. O IFRJ estava muito dividido politicamente e com muita necessidade de infraestrutura. O nosso orçamento vem em queda nos últimos oito anos e nossas demandas somente aumentam.

Foi muito importante minha articulação institucional para conseguir viabilizar emendas da bancada federal de deputadas e deputados do nosso estado. Conseguimos avançar em demandas importantes, inaugurando obras que estavam paradas e ainda fazer novos investimentos. Investimos em sustentabilidade, instalando placas solares nos campi e reitoria, com impacto de redução nas contas de energia elétrica, além do benefício ambiental.

Já o segundo principal desafio foi a pandemia. Algo jamais pensado nas piores previsões. A educação foi muito impactada. Como garantir a continuidade da formação em uma transformação abrupta do presencial para o virtual? Criamos regulamentos, instruções normativas, discutimos em nossos colegiados e conselho Superior, criamos auxílios emergenciais para os estudantes e realizamos um programa de conectividade, com empréstimos de chip e tablets aos estudantes do IFRJ. Foi um grande desafio que nos permitiu não impactar na continuidade da formação dos estudantes.

O nosso calendário ainda está se ajustando, mas já retornamos totalmente ao presencial em nossos cursos. A nossa comunidade foi muito parceira, respeitando os distanciamentos, o uso de máscaras e defendendo a vacinação. Isso ajudou muito a garantia do retorno presencial.

Nosso comitê operativo de emergência (COE), ciado na pandemia, junto com a nossa equipe da saúde, acompanha de perto os dados e números da Covid-19 no estado e gera encaminhamento e protocolos para estudantes e servidores. Foi um período de desafio, mas nós trabalhamos muito para o IFRJ avançar, por isso fomos reeleitos para continuar o trabalho.

 

Tribuna da Imprensa - o senhor também é o presidente do Conselho Regional de Química. Como consegue administrar duas instituições tão importantes?

Reitor Rafael Almada - O Conselho Regional de Química do Rio de Janeiro tem um papel muito importante no estado. A área da Química no estado é muito forte, com empresas e profissionais formados nas principais instituições de ensino. Atuo na área da Química desde a formação como Técnico em Química e fui conselheiro de 2009 a 2017, quando assumi a presidência.

Em 2020 fui reeleito presidente na chapa inscrita no processo sob o nome #SomosQuímicos, que, na consulta prévia realizada com os profissionais da Química no Rio de Janeiro obteve com 86% dos votos no pleito. Depois, esse resultado seguiu para reunião plenária que confirma o resultado por unanimidade, me reconduzindo à presidência do Conselho até 2023.

No Sistema CFQ/CRQs, atuo ainda como o coordenador do Comitê de Relações Institucionais e Governamentais (CRIG) e coordeno as atividades que dia a dia promovem e defendem a categoria dos profissionais de Química junto ao Poder Público e à sociedade. E tenho conseguido conciliar isso com uma equipe incrível de profissionais no IFRJ e no CRQ-RJ, que dão conta de me auxiliar na gestão.

 

Tribuna da Imprensa - Qual o balanço geral que o senhor faz do primeiro mandato no que diz respeito ao desenvolvimento do ensino no IFRJ? Quais são as perspectivas que projeta para esse novo mandato? Há planejamento para ampliar o número de estudantes?

Reitor Rafael Almada - Nós avançamos muito na área do ensino no IFRJ, sobretudo em dois aspectos: verticalização de ensino e integração do ensino. O que é isso? Para que os leitores possam compreender, a verticalização de ensino está diretamente relacionada ao cidadão entrar como estudante no IFRJ com um curso de qualificação profissional e continuar os estudos até realizar uma pós-graduação.

Já a integração é pensar como os cursos podem se complementar em um mesmo eixo tecnológico, pensando na complementação e ampliação da formação dentro da mesma formação. Um dos grandes avanços foi acabar com a pró-reitoria de Ensino técnico e a de Ensino de graduação e unificá-las em uma única, que é a Pró-reitoria de Ensino, a PROEN. Assim suprimimos na estrutura institucional a divisão entre a Educação Básica, que envolve os cursos de qualificação profissional e dos cursos técnicos, e o Ensino Superior, que envolve os cursos de graduação, tecnólogos e a pós-graduação.

Essa melhor integração nos permite acompanhar o estudante ao longo de sua formação no IFRJ e oferecer cursos e oportunidades que o permitam entrar em nossos campi para uma qualificação profissional e seguir todo um itinerário formativo que o leve para uma graduação, um mestrado e até um doutorado.

Para o próximo mandato, seguiremos avançando nessas dimensões e ampliaremos anda mais nossas ofertas, especialmente na educação de jovens e adultos, na educação à distância, entendendo o quanto esse crescimento gera oportunidades para tantos estudantes-trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro.

Atualmente, o número de 17.546 estudantes matriculados pode crescer, com investimentos em ampliação dos campi, para um total de 23.000 estudantes, conforme estabelecem as diretrizes que definem parâmetros e normas para o modelo de dimensionamento do Ministério da Educação. O Estado do Rio de Janeiro merece mais estudantes na Educação profissional.

 

Tribuna da Imprensa - Considerando que o IFRJ desenvolve ensino, pesquisa e extensão, por que, nos dias de hoje mais do que nunca, é tão importante investir em pesquisa e em inovação?

Reitor Rafael Almada - Não há pesquisa e inovação sem um investimento mínimo, e, consequentemente, não é possível produzir conhecimento e garantir desenvolvimento científico, tecnológico e social, que contribua para romper com a visão de uma parcela da população que questiona o papel da ciência, bem como romper com uma visão utilitarista.

A Ciência não necessariamente solucionará problemas que existem hoje, conduzindo a humanidade ao bem-estar social imediato, mas pode contribuir futuramente. Por isso, mesmo na pandemia, garantimos a manutenção, no IFRJ, dos projetos de pesquisa e inovação e das bolsas dos estudantes envolvidos nesses projetos. Inovamos ainda, pois foi no início da pandemia, em 2020, que lançamos, pela primeira vez, editais integrados para promoção da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, que continuam até hoje e agora estão na sua terceira edição.

Com isso, o IFRJ, por meio da pesquisa e inovação, bem como dos mais de 30 cursos de pós-graduação, vem se consolidando como uma instituição que contribui para as ciências nas mais diversas áreas.

Soma-se a isso o investimento que temos recebido por meio de projetos aprovados em editais da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) do Ministério da Educação (MEC) e que têm trazido recursos para desenvolvimento da cultura de inovação com a criação de Laboratórios IFMaker e outros ambientes promotores de inovação, apoio ao empreendedorismo, entre outros, sempre antenados às demandas da sociedade atual.

Hoje o IFRJ está produzindo pesquisa e formação em pós-graduação na mesma qualidade das principais Universidades Federais do Estado.

Fotos de divulgação

Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Diretor do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

 

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