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Entrevista com George Teixeira Pinheiro, Presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB)

Por Ralph Lichotti em 15/05/2021
Entrevista com George Teixeira Pinheiro, Presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB)

O empresário George antes de assumir a presidência da CACB, foi presidente da Federação das Associações Comerciais do Acre (Federacre).

É membro fundador da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Acre (ABIH-AC), da qual foi representante durante 25 anos junto à ABIH Nacional.

Reconhecido também internacionalmente, é, desde 2002, Cônsul Honorário do Peru, nos estados do Acre, Rondônia e Mato Grosso.  

Foi governador do Rotary International, no Distrito 4720 – o maior do mundo – entre 2001 e 2002.

Pinheiro presidiu a Companhia de Eletricidade do Estado do Acre (Eletroacre) e foi secretário de Fazenda do estado, além de presidir o Conselho Deliberativo do Banco do Estado do Acre.

Tribuna da Imprensa - O senhor preside uma das entidades mais fortes da economia brasileira. Poderia nos dizer quais são as atribuições da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, número de associados e principais atividades e benefícios oferecidos à classe?

George - A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) é formada por 27 federações, representantes de cada um dos estados, que agregam 2.300 associações comerciais e empresariais que associam, por adesão voluntária, mais de dois milhões de empresários em todo o país, pessoas jurídicas e físicas, de todos os setores da economia.

A CACB é uma organização multissetorial, representa e expressa a opinião independente de empresários do comércio, indústria, agropecuária, serviços, finanças e profissionais liberais, de micro, pequenas, médias e grandes empresas.

Como 89% dos associados são micro e pequenas empresas, a entidade se volta para esses agentes da economia, responsáveis pela maior parte dos empregos gerados no país.

A CACB tem uma abrangência nacional, pois congrega 27 federações estaduais. Com associações comerciais filiadas em mais de dois mil municípios, por certo é uma das organizações brasileiras com maior capilaridade.

As ações políticas da CACB são desenvolvidas traçando estratégias para defesa dos interesses do empresariado no Congresso Nacional e trabalhando como um órgão consultivo do Governo Federal. Entre suas bandeiras vitoriosas estão a bem-sucedida campanha pela regulamentação da arbitragem no Brasil, a aprovação da Lei Geral da Micro e Pequena e das reformas trabalhista e previdenciária.

Entre os principais serviços oferecidos estão a Câmara Brasileira de Mediação e Arbitragem Empresarial, a emissão de certificados digital e de origem, além de consultorias para a melhoria da gestão empresarial dos associados.

Tribuna da Imprensa - Qual é a expectativa do comércio com relação, decreto com o “direito de ir e vir” que Bolsonaro diz que vai editar?

George - Sem dúvida, as medidas restritivas impostas pelos governos estaduais e municipais têm sido uma imensa pedra no sapato do comércio brasileiro. O abre e fecha as portas tem dificultado não só a gestão das empresas, mas também a manutenção de empregos, o que tem travado cada vez mais a economia em todo o país.

Por outro lado, já registramos mais de 400 mil mortes desde o início da pandemia e olhando por essa perspectiva, é de grande importância que os nossos governantes se voltem para o cuidado à vida e foquem em ações que diminuam o contágio pelo vírus e, principalmente, os índices de fatalidade.

Portanto, a nossa defesa é de que haja um grande esforço para que a vacinação avance e a gente consiga imunizar toda a população o quanto antes. Um recente estudo do Sebrae, por exemplo, se hoje o país conseguisse vacinar cerca de três milhões de pessoas por dia, volume considerado limite para o SUS (Sistema Único de Saúde), 54% dos pequenos negócios retomariam o faturamento que tinham antes da pandemia até meados de agosto. A CACB, inclusive, lidera, em todo o país, a campanha #EuVouVacinar, que cobra justamente essa agilidade, sabendo que esta é a única saída para uma retomada econômica rápida e segura.

Enquanto acontece a vacinação, todo o comércio precisa ser reaberto o quanto antes, permitindo que as empresas atendam os clientes seguindo protocolos de saúde, como o distanciamento social, o uso de álcool em gel, aferição de temperatura, entre outros.

O possível decreto do presidente Bolsonaro, portanto, seria bom para a reabertura do comércio, mas pouco adiantaria se junto dele não houvesse um rápido avanço na vacinação e uma queda no número de mortes.

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Tribuna da Imprensa - Só se fala no agronegócio como mola propulsora para gerar riqueza para o país. O senhor concorda com isso?

George - Sem dúvida o agronegócio é um importante setor para o comércio exterior e a economia do nosso país, mas ele é apenas uma fatia da nossa riqueza. O setor de comércio e serviços, além de ser o que mais emprega, é, hoje, responsável por mais de 70% do nosso Produto Interno Bruto, o que não nos permite dar apenas ao agronegócio esse crédito de mola propulsora.

Ainda precisamos de incentivos para superarmos a crise causada pela pandemia e retomarmos nosso crescimento econômico, o que depende do pleno funcionamento de todos os setores da economia. Aí sim, voltaremos a gerar riquezas para o Brasil.

Tribuna da Imprensa - Quando Juscelino Kubitschek foi presidente, trouxe a indústria sob o argumento de que um quilômetro de estrada geraria 10 empregos. A construção de ferrovias iria gerar 3 empregos para cada quilômetro de trilho. O que pensa sobre isso?

George - A indústria é, também, um dos setores mais importantes da nossa economia, e igualmente tem sofrido duras perdas durante a pandemia. O problema é que quando uma indústria fecha as portas, centenas de empregos deixam de existir e, em alguns casos em que o município depende quase que totalmente daquela atividade, cidades inteiras perdem sua autonomia financeira e mergulham em uma profunda crise. E isso gera um efeito dominó, que reflete na economia daquele estado e no Brasil inteiro.

Daí a importância de que o país crie incentivos para que a indústria volte a crescer, inclusive atraindo investimentos estrangeiros, assim como fez JK, com seus estímulos ao crescimento industrial, que permitiram a entrada de multinacionais no nosso país.

Tribuna da Imprensa - Dois fatores travam o desenvolvimento dos negócios no país: a alta taxa tributária e a legislação trabalhista. O senhor concorda com essa afirmação?

George - Concordo, sem dúvida! A legislação trabalhista conseguiu dar uma boa caminhada com a reforma de 2017, mas ainda precisa de alguns ajustes. E é justamente em busca de mudanças que tanto estamos lutando pela reforma tributária também. Precisamos de um sistema mais justo, que não aumente, em hipótese alguma, a carga tributária e que faça mudanças na tributação sobre o consumo.

Temos apoiado a proposta chamada Simplifica Já, que é composta de quatro módulos: reforma da PIS/Cofins, aprimorando a definição do conceito de insumo; desoneração parcial da folha, para as empresas que mais empregam; reforma do ICMS, unificando-se as atuais 27 legislações e sistemas do ICMS; reforma do ISS, unificando-se as milhares de legislações e sistemas do ISS.

Os pontos mais importantes dessa proposta é que as discussões dela nascem de entidades que representam o setor produtivo brasileiro e que ela não traz guerra entre os setores, mas sim emprego e simplificação imediata.

Tribuna da Imprensa - Qual é a grande lição que os empresários tiram com a pandemia e qual é a perspectiva a longo prazo para crescer?

George - A lição que todos tiramos, e não apenas os empresários, é a de que precisamos dar mais atenção à saúde e entender de uma vez por todas a importância que o comércio, os serviços e os outros setores têm para a economia brasileira. Quando eles param, tudo para. Perdemos empregos, a população perde renda, o consumo é interrompido e a economia se retrai.

Para pensarmos em perspectiva de crescimento, precisamos primeiro avançar na vacinação da população, para que possamos acabar com as restrições para as atividades econômicas, voltarmos à vida normal e, aí sim, sabermos como a roda da economia vai se comportar no pós-pandemia. Só esse comportamento poderá nos dizer em quanto tempo voltaremos a crescer.

Fotos de divulgação

Por Ralph Lichotti é advogado e jornalista, diretor do Tribuna da Imprensa

MTb 31.335/RJ

 

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*Este texto é de total responsabilidade de seus idealizadores

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