Informação, publicidade e prestação de serviços a comunidade | 19 de Agosto de 2022

EMANCIPAÇÃO: Porque libertar a Região da Barra da Tijuca?

Por Tribuna em 04/08/2022
EMANCIPAÇÃO: Porque libertar a Região da Barra da Tijuca?

Faz limite com o bairro de Jacarepaguá ao norte, com o maciço da Pedra Branca a oeste, com o maciço da Tijuca a leste, e com o Oceano Atlântico ao sul. O bairro da Barra de Tijuca é o centro cultural, econômico e administrativo da região. A Barra, como é conhecida popularmente, é uma região relativamente nova.  

A Barra da Tijuca é o bairro mais jovem e pujante do Rio de Janeiro, seu desenho arquitetônico, praia e recorte com o verde do maciço da Tijuca, remete para a cidade de Miami – USA. A vida noturna é frenética e atrai freqüentadores de todos os lugares.

Apesar de sua beleza natural, ela carece de infraestrutura, onde a ausência do poder público deixa a desejar. Esse cenário, ao lado do saneamento, violência e mobilidade urbana, tem sido a saga dos seus moradores.

Dispõem de centenas de academias, (as melhores estão aqui), clínicas particulares e grandes condomínios de apartamentos e mansões. Com mais de 350.000 habitantes (Censo de 2015) – é a população que há décadas mais cresce no Rio. Sua projeção para 2030 é de mais de um milhão de habitantes. Para um dos líderes do movimento emancipacionista, jornalista Roberto Monteiro Pinho, “o bairro é uma pintura, nos fins de semana de sol, vira o caos, mesmo assim vem se superando, mais pela iniciativa privada que investe e aposta no seu potencial do que o poder público, que mantém os olhos vedados para a região” – conclui.

Ambientalistas: “A emancipação é um processo natural”

Em 1988, a população tentou um plebiscito para se separar do Rio. Apesar da arrasadora vitória secessionista, a votação foi anulada devido à baixa participação (ausência do quorum mínimo). A campanha não contaminou os moradores de áreas comunitárias, a mobilização teve falhas desastrosas, o clima era ‘ganhamos’, ganhou, mas não levou, conforme explicou Monteiro Pinho, responsável por detonar a proposta emancipacionista, com apoio de ambientalistas e lideranças comunitárias da região.

“Hoje a realidade é outra, temos a comunicação de massa nos smartphones e as adesões fervilham. É um projeto amplo, de inclusão, sem soberba e principalmente apelo político, estamos aberto para todos, alavancamos a partir da Associação Nacional e Internacional de Imprensa – ANI, quando criamos a Comissão Especial de Emancipação e Assuntos Institucionais para debater e organizar a agenda. Iniciamos os trabalhos, registrando situações anacrônicas principalmente nas comunidades do entorno, tudo registrado, filmando e anotando, não tem creches públicas, abrigos de ônibus, assistência médica domiciliar e pública. Tudo abandonado!” – concluiu.

Anos atrás, veio um plano diretor para a Barra, mas essa região ainda no século XX ainda era um ermo alagado – acabou sucumbindo ao mercado imobiliário a partir dos anos setenta, e seu projeto urbanístico acabou saindo principalmente das pranchetas das construtoras, que se preocupou mais com o interior da área tomada por prédios e casas em condomínio.

“Em nome da voracidade dos investidores, perdemos o espaço aberto que vem sendo ocupado pelas construções, foi sai o verde, entra cimento”, explica o ambientalista Donato Velloso que é presidente da ONG, Pacto Ambiental-Lagoa Viva.

O plano urbanístico original havia sido concebido por Lucio Costa, o criador de Brasília, que chegou a dizer que não se lembrava de ter concebido nada do que estava sendo construído.

Um dos entusiastas com o bairro é o ambientalista e CEO, Carlos Favoreto, que apostou na região, e se reinventou com sucesso, idealizando o único Golf Olímpico do mundo, situado no coração da Barra e cujo projeto urbanístico é um dos mais elogiados do país.

 “Na Barra da Tijuca se vive bem, mas é um modelo anacrônico do que é necessário hoje no espaço urbano. O projeto da Barra se baseou em um modelo no qual se acreditava nos anos sessenta, num país com taxas de crescimento de 10% e com o automóvel como prioridade. A realidade mudou, e o carro se transformou em vilão das cidades", falou em entrevista a um periódico, o arquiteto Carlos Eduardo Nunes, autor do livro Barra da Tijuca, o Presente do Futuro.

“A Barra, embora mantenha elementos originais do plano, como a ventilação e a preservação de áreas verdes, têm um problema grave porque não promove a convivência em espaços públicos, e esses espaços, geralmente, tendem a serem espaços de consumo.”

O fato é que a comunidade, ambientalistas e lideranças estão retomando com sucesso a proposta de tornar a região independente.

Da editoria/Núcleo ANIBRPress/Imagem: Wikipédia

Aguarde..