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ELEIÇÃO: TSE resiste à pressão de Bolsonaro que questiona a segurança das urnas eletrônicas

Por Tribuna em 19/05/2022
ELEIÇÃO: TSE resiste à pressão de Bolsonaro que questiona a segurança das urnas eletrônicas

A questão das urnas eletrônicas ganhou protagonismo, ao provocar o silêncio da toga do Superior Tribuna Eleitoral (TSE), a partir do momento que o maior mandatário do país - o presidente Jair Bolsonaro (PL) colocou as Forças Armadas no radar, ao levantar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas. O presidente apontou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como imaginário e interessado em fraudar, justamente por conta das reações moralistas, e acusar seus pares, por recusar sugestões feitas pelo Exército sobre o funcionamento do sistema eleitoral.

Bolsonaro sinalizou sua preocupação (o tema ganhou as redes sociais) e foi alvo de amplo debate na mídia dos jornalões, ao afirmar que as “Forças Armadas não se limitariam a "participar como espectadoras" das eleições deste ano”. E foi reticente: “Mas afinal: qual é o papel definido, até agora, para as Forças Armadas durante as eleições deste ano?”

Diante das afirmações do presidente, veio a tona o papel dos militares nas eleições que se limita ao transporte de urnas eletrônicas para locais de difícil acesso, garantir a segurança da votação em municípios onde haja possibilidade de conflitos e participar do processo de fiscalização do processo eleitoral. Os especialistas, no entanto, foram unânimes: não cabe às Forças Armadas o papel de "revisora" das eleições.

Voto impresso para inibir fraudes

O cenário inóspito em torno de qual o papel a ser desempenhado pelas Forças Armadas neste 2022, foi provocado pelo presidente Bolsonaro e alguns de seus aliados miraram críticas ao sistema eleitoral, levantando dúvidas sobre a integridade das urnas eletrônicas. Bolsonaro defendeu a implantação de um sistema de contabilização de votos impresso, em que os números digitados por cada eleitor nas urnas sejam impressos e depositados em uma urna de acrílico como forma de garantir segurança em caso de acusações de fraude.

O incidente do executivo com o legislativo ganhou proporções quando ministro da Defesa e escolhido para ser vice na chapa de Bolsonaro, general Braga Netto, defendeu o debate sobre o chamado voto impresso e disse que a discussão era "legítima". A mídia bolsonarista coalhou as redes de postagens apoiando o presidente, e acabou irritando os pares do TSE.

Para completar o embate uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) tramitou no Congresso Nacional, mas sem os votos necessários e foi derrotada, em agosto de 2021. Para os analistas políticos, esse debate se acentuou ao mesmo tempo em que as principais pesquisas de intenção de voto passaram a mostrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a frente de Bolsonaro na disputa pela Presidência da República.

Após o logro da PEC do voto impresso, os militares articularam a participação, e foram convidados pelo TSE para fazer parte da Comissão de Transparência das Eleições (CTE), criada em setembro de 2021 pelo então presidente do tribunal, Luiz Roberto Barroso.

A comissão tinha o objetivo de receber sugestões de diversas entidades da sociedade para ampliar a segurança do processo eleitoral. Entre os órgãos convidados estavam a Polícia Federal e as Forças Armadas. O cenário se tornou nebuloso, Bolsonaro ganhou fôlego e o TSE ficou na “saia justa”.

Da Editoria/Núcleo de Conteúdo TRIBUNADigital/Imagem: Redes Sociais.

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