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E agora, Bolsonaro vai atacar a Polícia Federal?

PF diz ao TSE que bolsonaristas replicam Trump e usam ataque à imprensa como método; segundo relatório entregue ao TSE, canais bolsonaristas nas redes sociais atuam para 'diminuir a fronteira entre o que é verdade e o que é mentira'.

Por Tribuna em 17/08/2021
E agora, Bolsonaro vai atacar a Polícia Federal?

DA REDAÇÃO - A Polícia Federal afirmou ao Tribunal Superior Eleitoral que canais bolsonaristas nas redes sociais atuam com o objetivo de “diminuir a fronteira entre o que é verdade e o que é mentira” e usam como estratégia ataques aos veículos tradicionais de informação (jornais, rádio, TV etc). Esse método também foi aplicado na campanha contra as urnas eletrônicas.

Segundo a PF, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro replicam uma estratégia de comunicação utilizada nas eleições de 2016 nos EUA, atribuída a Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, e também na eleição presidencial vencida por Bolsonaro em 2018.

A informação foi revelada pelo site do jornal "Folha de S.Paulo" e confirmada pela TV Globo.

Os dados constam no pedido feito pela PF e que levou o TSE a suspender os repasses das plataformas para os canais bolsonaristas dentro do inquérito administrativo que apura os ataques do presidente ao sistema eletrônico de votação, como revelou nesta segunda-feira o Jornal Nacional.

Essa engenharia, diz a PF, consiste no uso de mu?ltiplos canais da rede mundial de computadores — especialmente as redes sociais — e na contestação de ideias antagônicas por meio da desqualificac?a?o do adversário.

Para a delegada Denisse Ribeiro, que assina o relatório, essa prática transforma ideologia em mercadoria.

“Ale?m disso, promove ataque aos vei?culos tradicionais de difusa?o de informac?a?o (jornais, ra?dio, TV etc.), de modo a atingir o seu pu?blico de forma direta, horizontal, ao dissipar a distinc?a?o entre o que e? informac?a?o e o que e? opinia?o”, diz o texto.

Segundo a PF, “a pra?tica visa, mais do que uma ferramenta de uso poli?tico-ideolo?gico, um meio para obtenc?a?o de lucro, a partir de sistemas de monetizac?a?o oferecido pelas plataformas de redes sociais. Transforma rapidamente ideologia em mercadoria, levando os disseminadores a estimular a polarizac?a?o e o acirramento do debate para manter o fluxo de dinheiro pelo nu?mero de visualizac?o?es".

De acordo com o relatório, trata-se de "um modelo exitoso de influência baseado na forma como os indivíduos percebem, aprendem, absorvem e difundem as informações que outros fornecem no processo de comunicação (psicologia cognitiva), identificando-se seu emprego tanto nas eleições americanas de 2016, quanto, em maior ou menor escala, nas eleições brasileiras de 2018”.

A PF afirmou ainda ao TSE que ter identificado a mesma prática em relac?a?o a? difusa?o de supostas fraudes no processo eleitoral com o emprego de urnas eletro?nicas, "tendo como figura central, neste caso especi?fico, o Exmo. Sr. Presidente da Repu?blica Jair Messias Bolsonaro”.

Conexão parlamentar da desinformação
A PF apontou indícios de que a suposta engenharia criminosa — destinada a fortalecer uma narrativa infundada de irregularidades no sistema eleitoral e também lucrar com essa divulgação — pode contar com o presidente Bolsonaro, com seus filhos o senador Flávio Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro, além de parlamentares da tropa de choque do presidente como as deputadas Bia Kicis (PSL-DF) e Carla Zambelli (PSL-SP).

O corregedor-geral eleitoral, ministro Luis Felipe Salomão, determinou que os investigadores aprofundem os dados reunidos para saber se essa ação tem relação com os mandatos — e portanto estão protegidas pela imunidade parlamentar — ou ainda se integram esse mecanismo.

Para a PF, esse mecanismo tentou deslegitimar as instituições e colocar sob suspeita as eleições de 2022.

“Quanto mais polêmica e afrontosa às instituições for a mensagem, maior o impacto no número de visualizações e doações, reverberando na quantidade de canais e no alcance do maior número de pessoas, aumentando a polarização e gerando instabilidade por alimentar a suspeição do processo eleitoral, ao mesmo tempo que promove a antecipação da campanha de 2022”, diz o relatório. (Do G1 com foto de Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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