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Di stéfano um dos maiores jogadores do mundo, que vi jogar a partir de 1948, quando era “la saeta rubia”

Por HELIO FERNANDES – In Memoriam

Por Hélio Fernandes – In Memoriam em 22/05/2022
Di stéfano um dos maiores jogadores do mundo, que vi jogar a partir de 1948, quando era “la saeta rubia”

*Publicações históricas no Centenário do jornalista

PARTE I

A morte de Di Stéfano, entristeceu e empobreceu o futebol. Não gosto nem queria fazer comparações, mas foi dos maiores do mundo. Pouquíssimos podem se equiparar a ele. E raros, como este repórter podem escrever sobre ele. Em 1948 no Chile, durante 46 dias seguidos, vi Di Stéfano em campo, admirável, assombroso, impressionante todas as vezes. 

O Torneio dos Campeões 

Nesse 1948, audaciosamente, o Chile organizou o campeonato que está no título desta nota. Convidou 10 campeões dos 10 países da América do Sul. Todos jogando contra todos, por isso precisou de 46 dias para terminar.

Os quatro primeiros colocados, (por pontos corridos) eram os semifinalistas, daí saíam os finalistas. O representante do Brasil era o poderoso time do Vasco, tão invencível que era chamado de “Expresso da Vitória”. Eu era secretário Adjunto da revista “O Cruzeiro”. Já me preparara para viajar, naquela época, no “Cruzeiro”, qualquer coisa era motivo para viagem.

O Presidente do Vasco, meu amigo Ciro Aranha me telefonou convidando para acompanhar o time. Nessa época não havia a cobertura de milhares de jornalistas, os órgãos eram apenas jornais e revistas. 

Apenas três jornalistas 

Este repórter, o grande Oduvaldo Cozzi pela Rádio Nacional, e Ricardo Serran, editor de esportes de “O Globo”. Mandávamos matéria pelo telex, picotávamos aquela fita, que era o que existia em forma de comunicação. 

“La saeta rubia” 

Descoberto pelo River Plate em 1946, com 20 anos, logo se destacou. E esse apelido foi um presente imediato do torcedor, ainda na Argentina. Tinha os cabelos vermelhos, e velocidade de Fórmula 1.  

Esse Torneio, a ideia inicial da Libertadores 

Foi espetacular, cada jogo era uma sensação. Vasco e River Plate iam se destacando e impondo goleadas, o jogo inicial entre eles terminou zero a zero. Apesar dos dois ataques serem fulminantes. E se admitia francamente que a final seria Vasco-River, o que aconteceu. 

O Vasco Campeão 

Como o Vasco tinha chegado com vantagem, jogava pelo empate. Mas não acreditávamos num novo jogo sem vencedores. Eu e Serran assistimos o jogo onde fica o técnico, quase dentro do campo.

Precisamente ao lado do treinador do Vasco, o mais do que competente Flávio Costa. (Que menos de 2 anos depois seria o técnico da seleção brasileira na Copa de 50. O que já é outra história. Mas não custa lembrar, que além da competência esportiva, Flávio Costa tinha curso superior). 

Acompanhando Di Stéfano até hoje 

Surpreendentemente novo zero a zero. O Vasco merecidamente campeão. Estou citando de memória, mas nos anais do Vasco e na Biblioteca Nacional, é fácil encontrar tudo, apesar dos anos decorridos.

PARTE II

Di Stéfano volta para a Argentina, pouco tempo 

Continuou se destacando, não era uma ilusão, nem podia ser chamado de craque e sim de craquíssimo. Em 1949, o Real Madrid resolveu contratá-lo. Naquela época as somas não eram inacreditáveis como hoje, mas já eram altas.  

O ditador socorre o clube  

A Espanha já havia promulgado a República, eleito e empossado um presidente. Só que alguns generais não concordaram, provocaram e promoveram (proporcionalmente à população) a maior Guerra Civil do Ocidente. Mais mortal do que a de 1860 nos EUA e a de 1917, que transformou a Rússia em União Soviética. 

O Real contrata Di Stéfano, seria seu único clube em 65 anos 

Não existia a multa contratual, como hoje, e sim o pagamento do passe. O ditador Francisco Franco, que gostava muito de futebol e se refugiava na paixão pelo Real, que ficava na capital, pagou tudo. E Di Stéfano começou imediatamente a devolver ao clube, em glórias o que pagaram por ele. 

Os motivos nem tão ocultos de Franco  

Como todo ditador era um covardaço. Quando jogavam em Madrid estava lá no estádio do Real, torcendo abertamente. Mas quando o mesmo jogo era disputado em Barcelona, o ditador cruel, mesmo que levasse 500 seguranças, não tinha coragem de aparecer.

A grande oposição ao ditador selvagem, que construiu um cemitério enorme, dezenas de milhares mortos, muito bonito, atração turística. (Desculpem, fui várias vezes a esse cemitério, não consigo lembrar o nome). 

Barcelona, que cidade  

Capital da Catalunha, lindíssima, para mim emocionante e admirada. A Catalunha meu segundo país, Barcelona minha paixão eterna, imortal e duradoura. Tirando o Brasil e as cidades brasileiras, adoro Barcelona, meu pai nasceu lá, veio para cá aos 7 anos, com a família.

Di Stéfano: ídolo do Real 14 anos dentro de campo 

Durante 14 anos, só parou aos 37, empolgou a multidão que ia aos campos para vê-lo. Era um espetáculo. Além dos 46 dias em que vi Di Stéfano jogar no Chile, assisti muitas outras na Espanha. Pois nas dezenas de vezes em que fui à Europa, arranjava sempre um jeito de ir à Espanha e a Barcelona. 

51 anos fora de campo 

Parando de jogar, Di Stéfano continuou ídolo e admirador do Real. Foi feito Conselheiro, tinha um apartamento no centro de Madri, mas um outro dentro de próprio clube, pois vivia lá. Não quis ser treinador, mas sempre ouvido com respeito, principalmente nos momentos de crise. 

Um dos cinco maiores jogadores do mundo 

Quem quiser pode fazer sua seleção dos melhores jogadores que já viu jogar. Não quis colocar “o melhor de todos”, considero que isso não existe. Por acreditar que as gerações se sucedem em todos os esportes e cada vez os ídolos e as admirações vão mudando e se transformando, dei a oportunidade de escolherem cinco, não é muito. 

Minha paixão por esporte 

Duvido que alguém tenha visto mais esporte do que este repórter. Cobri quase todos. Adoro não só futebol, mas também basquete, vôlei, tênis, as mais diversas formas de atletismo. Com admiração total pelas duas pontas da glória atlética: a mais rápida, os 100 metros, e a mais longa, a Maratona. 

No futebol, os meus preferidos  

Se eu tivesse que fazer uma relação de cinco, não passaria de dois. E assim mesmo, esses dois encabeçariam a lista, juntos, irmanados, não seriam 1 ou 2. Seriam colocados lado a lado, sem vantagem para ninguém.

Garrincha e Di Stéfano foram os mágicos que vi nos campos de futebol. Não reprovo nem elimino outros que também vi jogar com grande satisfação.

Mas o brasileiro e o argentino que passou a vida na Espanha, não têm concorrentes. O futebol que jogaram merecia um Museu, não isolado, mas com o nome dos dois. 

Por Helio Fernandes – jornalista-editor da Tribuna da Imprensa (in memorian)

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