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Com jovens, maioria feminina e neta de Allende, Boric anuncia formação do novo governo no Chile

Por Tribuna em 22/01/2022
Com jovens, maioria feminina e neta de Allende, Boric anuncia formação do novo governo no Chile

O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, anunciou nesta sexta-feira (21/01) seu gabinete ministerial, no qual se destaca uma maioria feminina, com 14 mulheres e 10 homens, grande presença de ministros com menos de 40 anos e conta com a neta do ex-presidente Salvador Allende. 

A partir do dia 11 de março, quando Boric tomará posse como presidente, semanas após completar 36 anos, a mais nova gestão chilena será postulada com diversos nomes jovens, que levam alguns analistas a definir este como um “governo sub-35”.

Outro tema destacado pela imprensa chilena são os nomes de independentes: serão oito de um total de 24, portanto, correspondem a um terço do gabinete. É o caso de Maya Fernández Allende, neta do ex-presidente Allende, e Izkia Siches, que não milita atualmente em nenhum partido, apesar de já ter integrado as Juventudes Comunistas.

Entre os demais 16 ministros, há quatro integrantes do partido Convergência Social (o mesmo do presidente eleito Boric, e membro da Frente Ampla), três do Partido Comunista, dois do partido Revolução Democrática (membro da Frente Ampla), dois do Partido Socialista, um do partido Comunes (Frente Ampla), um do Partido Regionalista Verde, um do Partido Liberal (ex-Frente Ampla), um do Partido Radical e um do Partido Pela Democracia.

O principal nome do gabinete é o de Izkia Siches, uma médica de 35 anos que foi figura central na vitória de Boric quando foi chefe da campanha no segundo turno, e que será a primeira mulher a ocupar o Ministério do Interior, que é quem assume o poder no caso de ausência do mandatário – no Chile, não existe a figura do vice-presidente.

Siches surgiu como figura pública nacional por ser a presidente do Colégio Médico do Chile, mas seu reconhecimento foi pela atuação que desempenhou desde a chegada da pandemia do coronavírus no país andino. Devido à sua profissão, a maior parte da imprensa a especulou como ministra da Saúde. 

No Ministério da Fazenda, o escolhido foi o socialista Mario Marcel, que atualmente é o presidente do Banco Central chileno – ele ocupa o cargo desde 2016, quando foi indicado pela então presidente Michelle Bachelet.

Porém, o nome que causou mais repercussão na imprensa local é o de Maya Fernández Allende, neta de Salvador Allende, que foi nomeada como ministra da Defesa. Portanto, a partir de março, as Forças Armadas, que bombardearam o Palácio de La Moneda quando seu avô era presidente do Chile, agora estarão sob seu comando.

Para o Ministério das Relações Exteriores, o presidente eleito indicou a advogada e ex-membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (Cidh) Antonia Urrejola Noguera. 

A primeira grande figura política surgida no movimento estudantil chileno, Camila Vallejo é também a mais jovem dessa geração de políticos que chega ao poder. Aos 33 anos, Vallejo será a nova ministra da Secretaria Geral de Governo (porta-voz). A deputada tinha apenas 23 anos quando presidiu a Confederação dos Estudantes do Chile (Confech) e liderou as maiores manifestações no país pela gratuidade na educação, em 2011.

Dois anos depois, se candidatou à Câmara dos Deputados como representante do Partido Comunista, conquistou 62 mil votos e foi eleita a deputada mais votada do Chile naquela eleição. Durante seu primeiro mandato, foi membro da bancada governista durante o segundo mandato de Bachelet.

Em seu segundo mandato na Câmara, como opositora ao governo de Sebastián Piñera, apresentou um projeto para reduzir a jornada de trabalho de 45 para 40 horas semanais. Também se destacou por sua defesa nas demandas feministas e também na igualdade salarial

Um dos maiores amigos de Boric na política e que foi também quem promoveu a ideia de lançá-lo como candidato da Frente Ampla à Presidência do Chile, Giorgio Jackson, de 34 anos, foi nomeado para a Secretaria Geral da Presidência, cuja principal missão é servir como ponte entre os poderes Executivo e Legislativo e cuidar para que as iniciativas do governo tenham um trâmite rápido.

Também foram nomeados Javiera Toro (34, ministra de Bens Nacionais), Antonia Orellana (32, ministra da Mulher e Equidade de Gênero), Nicolás Grau (38, ministro de Economia) e Julieta Brodsky (38, ministra da Cultura).

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