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Biden quer nova lei para aborto após decisão do Supremo: “Dia triste”

Visivelmente irritado, o presidente dos EUA condenou a decisão e disse que "mulheres serão obrigadas a ter filhos de estupradores"

Por Tribuna em 24/06/2022
Biden quer nova lei para aborto após decisão do Supremo: “Dia triste”

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se manifestou contra a decisão da Suprema Corte de derrubar o dispositivo que permitia o aborto legal. O chefe da Casa Branca defendeu a criação de uma lei para garantir esse direito.

Nesta sexta-feira (24/6), Biden convocou protestos pacíficos e pediu que os eleitores norte-americanos escolham políticos pró-aborto no pleito de novembro.

“Aqueles que são contra essa decisão, mantenham os protestos de forma pacífica, sem confronto. Estamos frustrados com o direito que foi retirado. Vamos falar sobre isso nas próximas semana”, frisou.

Visivelmente irritado, Biden condenou a decisão e disse: “Mulheres serão obrigadas a ter filhos de estupradores”. E emendou: “A Justiça ou políticos não podem interferir na decisão entre uma mulher e um médico.”

Segundo o presidente norte-americano, “é muito perigoso esse caminho que a corte nos levou a tomar hoje.”

A reação ocorre após a derrubada de uma lei federal que garantia o direito das mulheres a abortarem legalmente no país. A medida estava em vigor há 49 anos e foi suspensa nesta sexta-feira. A anulação teve 6 votos a favor e 3 contra.

A mudança não proíbe o aborto no país, mas abre espaço para que cada um dos 50 estados adote vetos locais.

A Corte considerou como válida uma lei criada no estado do Mississipi, de 2018, que veta a interrupção da gravidez após a 15ª semana de gestação, mesmo em casos de estupro. Os juízes usaram este caso como oportunidade para derrubar a decisão, de 1973, conhecida como Roe vs. Wade, que liberou o procedimento no país.

Nos anos 1970, os juízes haviam relacionado o aborto com o direito à privacidade, ao considerarem que os governos não poderiam interferir em uma escolha de foro íntimo da mulher —a de manter ou não uma gestação. O direito à privacidade é garantido por duas emendas à Constituição dos EUA, a 9ª e a 14ª.

Já nesta sexta, a maioria dos magistrados adotou posição oposta e considerou que relacionar o procedimento com o direito à privacidade não faz sentido.

A decisão vazou em maio. Na prática, ela representa uma vitória para o partido Republicano e as alas conservadoras e religiosas do país, que queriam proibir a interrupção legal da gravidez.

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