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A tonga da mironga do kabuletê - Sem censura

Toda a verdade sobre o melhor xingamento da música nacional

Por Tribuna em 11/05/2022
A tonga da mironga do kabuletê - Sem censura

Sempre achei sonora demais a expressão da música Tonga da Mironga do Kabuletê, só faltava descobrir que raios de expressão era essa. A resposta estava na contracapa do vinil Como Dizia o Poeta, de Vinicius de Moraes, Toquinho e Maria Medalha, de 1971. Nela, um texto de Vinicius afirma que o xingamento mais malemolente da bossa nova foi colhido em Salvador por sua mulher, Gesse Gessy, durante a passagem do trio na cidade para uma série de shows. Lá mesmo Vinícius, Toquinho e Marília compuseram várias das canções que gravariam depois no disco.

“Gesse voltou do mercado central fascinada pelo xingamento nagô que tinha ouvido”, conta Toquinho. O certo, no dialeto africano, é “songa da mironga do kabuletê”, com “s”, e quer dizer %#@ impronunciáveis que o poetinha nem teve coragem de transcrever no disco. Algo como – tirem as crianças da sala – “pelo do cu da mãe”.

Mas o que impressionava mesmo era a sonoridade do xingamento. “Substituímos, por uma questão de ênfase tonal, o songa por tonga, e mandamos lenha, encantados pelo som insolente da expressão, que ecoa como um tremendo desabafo”, escreveu o poeta.

Vinicius só não podia jamais registrar o que queriam dizer com aquilo. Talvez tenha sido o modo velado de falar mal dos ditadores do regime militar que mais aliviou na história. “Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem um milico que saiba falar nagô”, brincava Vinicius, segundo seu biógrafo José Castello.

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