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A pluralidade da gestão de riscos é muito maior do que imagina, e você está perdendo oportunidades

*Por Tiago Martins

Por Gestão, Governança e Empreendedorismo em 19/08/2021
A pluralidade da gestão de riscos é muito maior do que imagina, e você está perdendo oportunidades

De que adianta comprar uma Ferrari se você irá enfrentar uma estrada de terra diariamente? E se tiver que atravessar um rio todo dia? Não seria melhor um barco? 

Quando o assunto é gestão em geral, esses exemplos são perfeitos. Ter um modelo, método ou sistema de gestão além ou muito aquém das suas prioridades, objetivos, estrutura, momento ou disponibilidade de recursos, pode ser tão inútil e lesivo, quanto não ter investido um único recurso nesta direção. 

Além do desperdício de recursos (financeiros, humanos, tempo e etc), todas as rotinas, obrigações e processos que surgem na esteira deste esforço (justificáveis quando implantados de forma adequada) irão drenar tempo, energia, mais recursos, mais estrutura e, acredite, irá representar um grande “peso” a ser carregado, e apenas com o objetivo de atender ao que eu chamo de “compliance vazio”. 

O “compliance vazio” nada mais é do que estar em compliance com regras, processos e diretrizes apenas porque são determinados, porém, os quais têm pouco ou nenhum diálogo com os objetivos estratégicos da organização e/ou não são capazes de agregar valor proporcional à energia e recursos que demandam da estrutura. 

Nesse ponto, mais do que todas estas questões serem aplicáveis à Gestão de Riscos, é justamente esta mesma ferramenta que irá funcionar como antídoto contra todos estes erros, exageros ou sub dimensionamentos relacionados a qualquer prática ou ferramenta de gestão, projeto ou empreendimento que se deseje implantar ou empreender.

É exatamente a partir de uma Gestão de Riscos adequada que será possível identificar, qualificar e quantificar as prioridades daquela organização, em relação a qualquer esforço de gestão desejado, ou mesmo em qualquer outro projeto ou esforço que inclua a mobilização de recursos de qualquer natureza. Ato contínuo deste cenário, é justamente essa Gestão de Riscos que será capaz de também oferecer subsídios e meios para definir, tomar e medir as ações compatíveis a estas prioridades, alinhadas aos objetivos estratégicos, e dimensionadas adequadamente para aquilo que a organização é capaz de absorver naquele momento.

Gestão de riscos para além das grandes empresas, corporações e projetos

Temos ainda no Brasil uma cultura empresarial predominante que não enxerga nos modelos de gestão de riscos uma metodologia ou ferramenta que seja capaz de agregar valor com boa relação custo x benefício. Muitos acreditam que modelos e ferramentas de gestão de risco precisam ser necessariamente complexos, superdimensionados e extremamente custosos. Toda esta visão compreende uma grande lenda, quando analisado o mercado e o universo de soluções já disponíveis.

O primeiro passo para a quebra deste paradigma está justamente no que apontei inicialmente neste texto: implementar a gestão de riscos do tamanho, nível de detalhamento e complexidade que sua organização ou projeto seja capaz de absorver é fundamental. E neste ponto, existe uma grande responsabilidade dos profissionais dessa área: não é a organização que precisa se adequar à sua metodologia ou ferramenta, meu caro. É você e sua metodologia que precisam analisar, estudar e compreender a organização atendida (incluindo seu momento, dores, demandas e prioridades), visando adequar o seu pacote de soluções. A implantação da gestão de risco como ferramenta é também um projeto que irá demandar recursos, e que precisa dar o exemplo dentro desta filosofia. 

A gestão de riscos deve ser uma facilitadora, e não “mais um peso a ser carregado” por quem está gerindo uma organização ou um projeto. Existem no mercado metodologias e ferramentas simplificadas e adaptáveis a qualquer realidade, incluindo uma relação custo x benefício atrativa. Eu mesmo aplico uma dessas ferramentas e metodologia em vários projetos internos, em projetos externos, e em clientes de diversos tamanhos, demandas e objetivos.

Na sequência, com um método e ferramenta de gestão de risco “pilotável”, passe a dedicar sua atenção para todos os projetos, demandas e iniciativas da organização que irão demandar recursos. Não importa seu tamanho ou o tamanho do seu projeto. Não importa se você está pretendendo criar um novo produto, comprar uma nova fábrica, implantar um programa de integridade ou um sistema de qualidade. Não importa se você pretende realizar uma fusão, ou comprar um novo parque industrial. Todo tipo de empreitada que mobiliza recursos significativos são sempre estratégicos, e precisam ser planejados e conduzidos a partir de uma gestão de riscos efetiva e na medida adequada.

Como trabalhar com metodologia de riscos?

Comece identificando aqueles projetos ou demandas que sejam mais estratégicas e prioritárias. Com base nestes, defina os seus objetivos, com a consciência de que são viáveis e compatíveis com o dispêndio de energia e recursos que têm disponível e está apto a aportar. Por mais que existam grandes objetivos de longo prazo, objetivos secundários são sempre relevantes para oferecer para a organização clareza, transparência e percepção de progresso. O que desejo alcançar? O que eu posso alcançar agora? O que posso alcançar depois? O que me impede ou me ajuda nesta caminhada? Como mitigar ou aproveitar melhor todas essas possibilidades em prol dos meus objetivos? Perguntas simples, mas que estão na base de uma gestão de riscos efetiva.

O primeiro passo de uma gestão de riscos efetiva passa pela definição de objetivos factíveis para o objeto de sua análise. Não posso projetar estacionar um ônibus numa vaga de moto, assim como não posso planejar atravessar as dunas de um deserto em uma bicicleta.

Na sequência, o trabalho passa a ser identificar os eventos de riscos que ajudam ou prejudicam o alcance dos objetivos definidos, ou seja, aquilo que impulsiona ou representa um obstáculo para o sucesso ou melhor resultado possível de todo projeto ou empreendimento. E tal etapa inclui também a qualificação, quantificação e, por consequência, a elegibilidade dos tais eventos que merecem a atenção de todo o processo de gestão. 

Por fim, utilizar metodologias e ferramentas de Gestão de Riscos para definir, controlar, medir e rever as ações determinadas para gerir estes eventos de risco elegíveis, são parte tão fundamental quanto o planejamento. E para isso, dependendo do tamanho ou complexidade do projeto, não necessariamente você irá necessitar de uma ferramenta extremamente complexa e custosa. Ainda que já existam excelentes opções, de ótima relação custo x benefício no mercado (conheço algumas), uma boa planilha pilotada com disciplina, pode ser muito útil.

E quando começar?

A gestão de riscos pode ser implementada a qualquer momento em seu negócio, mas fundamentalmente antes de decidir investir recursos em qualquer projeto ou plano que considere relevante.

Está esperando o que para implementar a gestão de riscos em seu negócio?

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